
Entre 2020 e 2025, o Banco Central aplicou 5,45 mil sanções administrativas por infrações bancárias, cambiais e financeiras. As penalidades somaram ao menos R$ 121,5 milhões, segundo planilha obtida pela agência Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação.
O Banco Master, que foi liquidado recentemente, foi um dos alvos destas penalizações. Em 2020, a instituição comandada por Daniel Vorcaro recebeu três multas por irregularidades classificadas como “controles internos deficientes”, “infração a normativo cambial” e “lavagem de dinheiro”. As penalidades somaram R$ 1,02 milhão.
O Will Bank, que fazia parte do conglomerado Master e também foi liquidado, foi multado em 2023 por “contabilidade irregular”. A penalidade inicial era de R$ 1,3 milhão, mas acabou reduzida para R$ 500 mil após recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Entre as instituições financeiras, a Caixa Econômica Federal aparece como a pessoa jurídica com maior número de sanções. O banco recebeu 13 multas por “cobrança indevida de tarifa”, que totalizam R$ 29,3 milhões.
A lista inclui ainda outras instituições públicas e privadas. O BRB foi multado em cerca de R$ 355 mil e o Banco do Brasil em R$ 100 mil. Bancos privados como Inter, BTG, C6 e JP Morgan também aparecem na relação, em geral por infrações consideradas mais leves, como atraso na entrega de declarações obrigatórias.
Grandes empresas fora do setor financeiro também foram penalizadas. Companhias como Taurus, Volkswagen e Atacadão aparecem na planilha porque empresas ou pessoas físicas com mais de US$ 1 milhão em bens no exterior precisam declarar essas informações ao Banco Central.

Investigação sobre o Master
O levantamento também se conecta às investigações envolvendo o Banco Master. O Banco Central concluiu uma sindicância interna aberta em janeiro para apurar a conduta de dois servidores: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Segundo as investigações, os funcionários teriam atuado como consultores informais do banqueiro Daniel Vorcaro. Na decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou que os servidores teriam dado orientações estratégicas ao banco, revisado documentos enviados ao BC e vazado informações internas.
Os investigadores também suspeitam que os funcionários usavam influência dentro da instituição para favorecer o Banco Master e que teriam recebido vantagens indevidas por meio de contratos simulados.
O resultado da sindicância foi encaminhado à Controladoria-Geral da União para análise.