Que as pedras retornem ao seu lugar de origem. Por Carlos Fernandes

Mulher ataca caravana de Lula com pedras

Sou, até por força da criação que tive, um sujeito que sempre acreditou no poder do diálogo como instrumento superior de força, inteligência e civilidade.

Jamais duvidei do estratagema universal que sempre vaticinou que violência, de toda e qualquer forma, gera inevitavelmente sempre mais violência.

Não por acaso, sou terminantemente contra a liberação de armas para a população.

Sobretudo para a nossa que, na falta de balas, se sente no direito de atirar pedras em manifestantes que participam de atividades que representam o mais puro exercício da democracia.

Dito isto, os ataques fascistas à caravana do ex-presidente Lula na região sul do país demonstram que o espaço civilizatório que sempre possibilitou aos mais antagônicos campos ideológicos minimamente se entenderem, muito provavelmente já não existe no Brasil.

O nível de polarização política e ideológica a que fomos submetidos pela grande mídia nacional, pela politização do poder judiciário e pela judicialização do poder legislativo, esgarçou toda e qualquer forma de reunificação de uma nação reduzida a frangalhos justamente pela violência cometida ao regime democrático e pela intolerância surgida – ou pelo menos evidenciada – a partir desse momento.

Não foram poucas as vezes em que os campos progressistas alertaram sobre o desastre social que ocorreria no país se os ovos do fascismo continuassem a ser chocados pelo que de pior foi criado na política nacional.

Pois bem! Os ovos eclodiram de vez.

A violência do fascismo migrou das redes sociais diretamente para as ruas. As agressões verbais se materializaram e agora estão expressas nas marcas do açoite e no sangue derramado. O que até pouco tempo era um terrível receio, hoje simplesmente é fato.

Saímos definitivamente de uma guerra travada no campo das ideias para uma verdadeira batalha campal onde, até o momento, uma curiosa particularidade se sustenta: apenas um dos lados ataca.

É lamentável que tenhamos chegado a esse nível de barbárie. Mas, uma vez que aqui estamos, não existe outra alternativa a não ser combatê-la.

Por muito tempo cultivamos a esperança de que os “cidadãos de bem” tivessem a decência e sabedoria de enxergar os seus próprios defeitos antes de atirarem a primeira pedra.

Como esse esforço de matriz humana foi inútil, que pelo menos as pedras lançadas retornem para o seu lugar de origem.

A democracia, como demonstrada em toda a sua história, exige revide aos eternos ataques que sofre.

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