Que político brasileiro poderia dirigir um táxi, como fez o premiê da Noruega?

As lições de líderes que não têm medo do povo.

Stoltenberg e suas passageiras
Stoltenberg e suas passageiras

Dois políticos deram, recentemente, uma lição preciosa para seus pares. Em sua visita ao Brasil, o papa Francisco driblou o protocolo para segurar bebês no colo, conversar, trocar cumprimentos.

“Eu não sinto medo. Sou inconsciente, mas não sinto medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando acontecer, o que Deus permitir, será. Eu não poderia vir ver este povo que tem um coração tão grande, protegido por uma caixa de vidro. E no automóvel, quando ando pela rua, baixo o vidro. Para poder estender a mão, saudar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou se faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz”, afirmou.

Há poucos dias, o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, pegou um táxi e saiu rodando por Oslo. Queria, disse ele, conhecer a as opiniões das pessoas acerca de seu governo. Uma câmera escondida captou tudo. O filme foi para o  YouTube e será utilizado nas eleições legislativas de 9 de setembro. Stoltenberg vai se recandidatar pelo Partido Trabalhista.

Alguns passageiros o reconhecerem. Falaram de petróleo, dos altos salários de executivos, de economia. Stoltenberg foi relativamente poupado de críticas à sua administração, mas não à sua habilidade como motorista. Depois de uma freada brusca, uma mulher reclama que a “direção não é seu forte”. Ele responde que conhece bem Oslo, mas está mais acostumado a andar no banco de trás dos carro.

Ok, a atitude de Stoltenberg precisa ser entendida no âmbito da sociedade norueguesa. Mas essa descida do tamanco não é invenção dele. O premiê inglês David Cameron pega o metrô, eventualmente, para ir ao trabalho. Seus antecessores faziam o mesmo.

A ideia não é original. Nero saía às ruas de Roma disfarçado e, com um bando de correligionários, espancava os passantes. O czar Pedro, o Grande, fingiu que era um marinheiro para viajar a Europa e aprender como se construíam navios. Nixon, certa vez, apareceu de surpresa numa passeata contra a Guerra do Vietnã. “Eu sei que provavelmente vocês me acham um filho da puta, mas que quero que saibam que entendo como vocês se sentem”, disse aos estudantes atônitos.

Que político brasileiro seria capaz de uma atitude dessas?

Hoje, nenhum. Lula, talvez. Por quê? Razões de segurança são óbvias. Ainda assim, o papa teria todos os motivos para arregar e não sair de seu papamóvel blindado. Ele foi alvo de protestos. Quebraram imagens sacras. Sem contar o atentado a João Paulo 2º. E ele encarou.

Há um distanciamento cada vez maior entre a política e a vida real. Não adianta criar um exército para cuidar de redes sociais. As manifestações são um exemplo claro da falta de sintonia entre o cidadão e seu “representante”. A verdade está lá fora.

Por outro lado, há uma vantagem: imagine, digamos, Renan Calheiros como motorista do táxi. Na hora de ir embora, você teria, fatalmente, de verificar se sua carteira ainda está no seu bolso.

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