Queda de morte de idosos em SP mostra que ‘dedo podre’ de Bolsonaro apontou para o caos e a dor na pandemia

Trator abre covas para mortos por Covid-19, em Manaus, cidade que apostou no tratamento precoce e submeteu o povo à própria sorte

Em meio ao início da CPI do genocídio, que vai investigar a irresponsabilidade do governo Bolsonaro de sabotar medidas preventivas, a imunização, e impor tratamento sem comprovação científica, uma notícia anunciada pela prefeitura de São Paulo dá o alento de que há um raio de sol em meio à neblina tóxica da pandemia da covid-19.

Ela mostra, segundo o portal UOL, que o número de idosos que morreram por causa de complicações da infecção pelo novo coronavírus despencou 90% no mês de abril em comparação com o mês de março deste ano.

Os números foram separados por idosos de 60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 a 89 anos e 90 ou mais. Em todas as faixas etárias, no mês de abril, houve queda brusca nas mortes.

Há controvérsias entre os especialistas sobre as medidas que levam aos dados otimistas. Marcos Boulos, membro do Centro de Contingência ao Coronavírus, prefere não apostar na apenas na vacinação.

“A redução se deve ao período de restrição, existindo a possibilidade de voltar a subir com a abertura prematura”, alerta o infectologista do HC. “Ainda a cobertura [da vacinação] é insuficiente para impactar os índices”, disse o médico.

Seu colega, Carlos Magno Fortaleza, também infectologista da Universidade de São Paulo, acredita que a vacinação seja, sim, o principal motivo da queda dessas mortes.

“Todas as análises mostram que ela foi desproporcionalmente maior em idosos. Há um possível ‘confundidor’ por maior seguimento das normas de isolamento social por idosos. Mas o grande diferencial foram as vacinas. Situação semelhante se vê em profissionais da saúde: quase não houve aumento de casos e internações desses profissionais em 2021”, disse.

Seja como for, uma constatação é óbvia: a combinação isolamento com imunização clareou o ambiente na principal cidade do país. Lembrando que São Paulo não aderiu à política suicida do tratamento precoce protagonizada em Manaus e outras cidades dirigidas por negacionistas cegos orientado por Bolsonaro – todos expuseram seus moradores à dor e à morte.

Em um discurso duro, Renan Calheiros, relator da CPI do genocídio, disse ontem no Senado que as investigações não vão se furtar a encontrar erros e má fé nas políticas públicas que já levaram quase 400 mil brasileiros a óbito.

Bolsonaro tem mesmo de estar estressado com a instalação da Comissão: o caos está justamente nos lugares onde ele apontou seu dedo podre.

Que seja responsabilizado e, caso se constate sua deliberada intenção de tocar o terror, que pague por isso.

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