Quem disse que você não pode ser feliz sozinho? Por Fábio Hernandez

A obra do fotógrafo sueco Gabriel Isak retrata a beleza da solidão
A obra do fotógrafo sueco Gabriel Isak retrata a beleza da solidão

Uma breve discussão ‘filosófica’.

Somos todos atormentados pela idéia da solidão, não somos?

Certo.

Almoçar sozinho, ir ao cinema sozinho, viajar sozinho: estes são alguns dos nossos pesadelos de todos os dias.

A solidão é um anátema, um estigma, quase uma marca cravada na carne do solitário.

Mas.

Mas por quê?

Bem, uma das razões é que a solidão é tratada a pontapés em todos os filmes, em todas as novelas e em todas as conversas que vemos e travamos.

Ninguém basta a si próprio. Essa a mensagem contínua que recebemos.

Faz sentido?

Não, não faz. Isso nos leva a depender sempre dos outros para sermos felizes.

Cícero disse o seguinte: “Quem depende apenas de si mesmo e em si mesmo coloca tudo tem todas as condições de ser feliz.”

Muito tempo depois, Dostoievski escreveu que ficar sozinho é uma “necessidade natural, como dormir e comer”.

Schopenhauer disse que as pessoas não suportam a solidão porque não suportam a si mesmas.

Os chineses ricos, no final da vida, costumavam abandonar toda a riqueza e conforto para, numa vida solitária e remota, terem a chance de meditar e refletir.

Uma única vez vi, num filme, uma mensagem sábia sobre o tema.

Foi em Beleza Americana.

A menina adolescente presencia uma briga horrível entre os pais num jantar. Fica chocada e vai para o seu quarto, onde a mãe depois aparece e diz: “Hoje você aprendeu a maior das lições. Conte apenas com você mesma.”

Platão não teria dito uma frase melhor.

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