Quem é a juíza que se declarou suspeita para julgar Moro

Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 14:37
Gisele Lemke. Foto: Reprodução

A desembargadora federal Gisele Lemke, integrante do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e atualmente juíza efetiva do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), declarou-se suspeita para julgar processos relacionados à candidatura do senador Sergio Moro (PL-PR) ao governo do Paraná. A suspeição foi formalizada na quinta (13).

Esta é a segunda vez que Lemke se afasta de processos relacionados ao ex-juiz da Lava Jato. Em 2023, ela já havia declarado suspeição para analisar, no TRF-4, ações de improbidade administrativa derivadas da operação. Na ocasião, os desembargadores João Pedro Gebran Neto e Luiz Antonio Bonat, integrantes da 12ª Turma, também reconheceram a própria suspeição.

Formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1990, Gisele Lemke também possui mestrado em Direito Público e doutorado em Direito do Estado pela mesma instituição, concluído em 2001. Antes e durante sua trajetória na magistratura, também atuou na área acadêmica.

Lemke ingressou na magistratura federal em 1994. Ao longo da carreira, trabalhou como juíza federal em Curitiba, no Paraná, e Joinville, em Santa Catarina. Também exerceu funções administrativas, como a direção do Foro da Seção Judiciária do Paraná e a coordenação do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) no estado.

Sua trajetória na Justiça Eleitoral começou antes da atual passagem pelo TRE-PR. Lemke foi juíza auxiliar da propaganda eleitoral em 2006, integrante substituta da Corte entre 2006 e 2008 e titular entre 2008 e 2010. Em 2024, retornou ao tribunal como substituta e posteriormente assumiu uma vaga como integrante efetiva.

O ex-procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro. Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

Em novembro de 2022, Lemke foi promovida ao cargo de desembargadora federal do TRF-4. A nomeação foi assinada pelo então presidente Jair Bolsonaro. O tribunal, sediado em Porto Alegre, é responsável pelos processos da Justiça Federal provenientes dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A magistrada também teve atuação ligada a desdobramentos cíveis da Operação Lava Jato. Quando era titular da 2ª Vara Federal de Curitiba, ficou responsável por ações civis públicas de improbidade administrativa originadas das investigações. Em 2015, recebeu processos envolvendo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e executivos de empreiteiras investigados no esquema.

Durante sua passagem pela primeira instância em Curitiba, Lemke também esteve entre os magistrados que substituíram temporariamente Sergio Moro na 13ª Vara Federal em períodos de férias e afastamentos. Anos depois, já no TRF-4, ela se declarou suspeita por foro íntimo para participar do julgamento de ações de improbidade relacionadas à Lava Jato.

No TRE-PR, Lemke também participou em 2026 de julgamentos envolvendo a candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol. Em abril, julgou procedentes ao menos dez ações apresentadas pelo Partido Novo contra publicações que afirmavam que Dallagnol estava inelegível para disputar as eleições deste ano. Algumas dessas decisões acabaram contestadas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em maio, o ministro Flávio Dino suspendeu uma das decisões da desembargadora e derrubou medidas que determinavam a retirada de reportagens e publicações sobre a eventual inelegibilidade de Dallagnol. Agora, com a nova declaração de suspeição, Lemke não participará dos julgamentos dos processos eleitorais relacionados à candidatura de Moro ao governo paranaense.

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