Quem é a magistrada que falou em “escravidão” após corte de penduricalhos

Atualizado em 20 de abril de 2026 às 21:55
A desembargadora Eva do Amaral tem carro do TJPA, que é garantido para os desembargadores
A desembargadora Eva do Amaral, do Tribunal de Justiça do Pará. Foto: Érika Nunes/TJPA

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, ganhou repercussão nesta segunda-feira (20) depois de afirmar que a magistratura pode entrar em “regime de escravidão” com a redução de verbas e benefícios. A magistrada recebeu R$ 91 mil líquidos em março e tem um carro avaliado de R$ 175 mil com motorista bancado pelos recursos do judiciário à sua disposição.

Antes de chegar ao posto atual, Eva atuou em um dos processos mais conhecidos da Justiça brasileira, o caso do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos em uma operação da Polícia Militar no sul do Pará. Na época, ainda como juíza de primeira instância, ela esteve à frente de fases do julgamento sobre a responsabilidade de policiais militares pela ação.

As vésperas de uma das sessões, Eva determinou a exclusão de um parecer técnico da Unicamp apontado como a principal prova da acusação, com imagens digitais que indicavam disparos de armas de grosso calibre por policiais militares. Depois disso, ela pediu afastamento do caso.

Eva do Amaral está na carreira desde outubro de 1985 e chegou ao cargo de desembargadora em julho de 2020. Aos 74 anos, construiu a trajetória no Judiciário a partir da comarca de Afuá, no interior do Pará, e depois passou por outras unidades do estado até alcançar varas criminais em Belém.

A magistrada também teve passagem pela Justiça Eleitoral. Foi membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Pará entre 2012 e 2016, além de ter exercido funções de juíza cooperadora e ouvidora. No TJPA, integrou o Conselho da Magistratura no biênio 2021-2023 e recebeu, em 2021, a Medalha Desembargador Ermano Rodrigues do Couto, no grau Mérito Especial.

Antes da magistratura, Eva trabalhou como advogada em Belém e Marabá e teve passagem pelo Serpro na área de recursos humanos. Formada em Direito em 1980, ela voltou ao noticiário após afirmar, em sessão da 3ª Turma de Direito Penal, que colegas estariam deixando consultas médicas e remédios por causa das mudanças nas verbas pagas à categoria.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.