Quem é a Maria Luiza Viotti, diplomata cujo visto foi revogado pelo governo Trump

Atualizado em 4 de agosto de 2026 às 20:43
Maria Luiza Ribeiro Viotti
A embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Foto: Rick Bajornas/ONU

Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora brasileira em Washington, tornou-se o centro da nova crise entre Brasil e Estados Unidos após o governo de Donald Trump revogar seu visto. A medida foi utilizada para pressionar o governo Lula a aceitar Daniel Perez como representante estadunidense em Brasília.

Aos 72 anos, Viotti possui quase cinco décadas de carreira diplomática. Nascida em Belo Horizonte, ela concluiu o curso do Instituto Rio Branco em 1976, formou-se em Economia e fez pós-graduação na Universidade de Brasília.

Em 2023, tornou-se a primeira mulher indicada para comandar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Seu nome foi aprovado pelo Senado com 44 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção, e ela assumiu o posto em Washington em junho daquele ano.

A diplomata já ocupou algumas das posições mais relevantes da política externa brasileira. Entre 2007 e 2013, foi representante permanente do Brasil nas Nações Unidas e chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança durante os mandatos do país no colegiado.

Maria Luiza Viotti
Maria Luiza Viotti junto do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, quando a brasileira foi chefe de gabinete na ONU. Foto: Mark Garten/ONU

Em fevereiro de 2011, Viotti presidiu o Conselho de Segurança da ONU. Posteriormente, foi embaixadora do Brasil na Alemanha, entre 2013 e 2016, e subsecretária-geral para Ásia e Pacífico no Itamaraty.

Sua experiência também ultrapassa a diplomacia brasileira. Entre 2017 e 2021, foi chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, uma das funções mais importantes da estrutura administrativa das Nações Unidas.

Nos Estados Unidos, Viotti assumiu a representação brasileira em um período marcado pela volta de Trump à Casa Branca, pelas pressões de aliados da família Bolsonaro e por disputas envolvendo tarifas, eleições e decisões do Judiciário brasileiro.

A revogação do visto não equivale à expulsão da embaixadora, que poderá permanecer nos Estados Unidos. A decisão, no entanto, atinge uma das diplomatas mais experientes do país e transforma uma representante com longa trajetória multilateral em alvo direto da pressão exercida por Washington sobre o governo brasileiro.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!