
Gisele Bleggi, procuradora da República, viralizou nas redes sociais após um vídeo em que aparece durante uma visita institucional a Propriá (SE). O conteúdo, publicado pelo prefeito Luciano de Menininha (PP), alcançou mais de 1 milhão de visualizações em menos de 48 horas.
Nele, Bleggi fala sobre sua participação no Seminário Regional de Licenciamento Ambiental, evento no qual citou a parceria entre o Ministério Público Federal (MPF) e a prefeitura local. A repercussão se desviou para comentários sobre sua aparência.
A procuradora chamou a atenção por seu estilo pessoal, incluindo tatuagens visíveis, cabelo colorido e vestimentas mais informais. Veja:
Procuradora do Ministério Público Federal, Gisele Bleggi, no Seminário Regional de Licenciamento Ambiental. 👀 pic.twitter.com/7MFJtAFLlC
— Stelix Capitalix (@shtelix) March 8, 2026
Gisele é formada em Direito e tem mestrado em Direitos Humanos, atua desde 2010 no MPF e tem se dedicado a causas ligadas ao meio ambiente, urbanismo e direitos de minorias, como povos indígenas.
Em 2022, a procuradora já havia virado notícia por tentar convencer indígenas que participavam de protesto em Vilhena (RO) a interromperem o bloqueio de rodovias na região. Gisele recebeu ameaças na ocasião.
Relembre:
04/11/2022.
Essa é Gisele Bleggi Cunha, procuradora do MPF, já acusada de contrabando, estava junto as forças policiais para desmobilizar as pessoas a favor do 🇧🇷 em Vilhena-RO. Representa muito bem a imagem do judiciário no atual momento. pic.twitter.com/e5m2jM18UL— Comiran D. (@ComiranDiego) November 5, 2022
Além de sua atuação em Rondônia, onde recentemente enfrentou ameaças após interagir com indígenas em um protesto, Gisele tem sido alvo de ataques pela sua aparência, o que levou entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB-SE) e a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) a se manifestarem publicamente em sua defesa.
Ambas as organizações criticaram os comentários misóginos que ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, destacando o caráter simbólico da violência sofrida pela procuradora.
“O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis por ocorrer no mês de março, período em que o país reafirma a importância da luta histórica das mulheres por respeito, igualdade e dignidade. Situações como esta demonstram que o enfrentamento à misoginia e às diversas formas de violência contra a mulher permanece um desafio permanente da sociedade brasileira”, disse a OAB.
A ANPR disse que os ataques são “carregados de violência simbólica” e que “a sua ocorrência em pleno mês de março, que marca a luta pelos direitos das mulheres, levanta ainda mais as discussões sobre o quanto ainda é preciso avançar no respeito às liberdades”.