
Agustin Fernandez é um maquiador e empresário uruguaio que chegou ao Brasil em 2011, por meio de Florianópolis, e construiu uma carreira como influenciador digital, com milhões de seguidores nas redes, linha própria de maquiagem, cursos e um livro sobre sua trajetória profissional. Ao longo dos anos, ganhou visibilidade também por trabalhos voluntários com pacientes oncológicas, o que ajudou a ampliar sua presença pública para além do universo da estética.
A aproximação com Michelle Bolsonaro ocorreu por meio das redes sociais e evoluiu para uma relação de confiança e convivência frequente. Ele passou a acompanhar a ex-primeira-dama em eventos oficiais, viagens internacionais e compromissos institucionais, além de marcar presença em ocasiões privadas da família. Em determinado momento, chegou a afirmar que Jair Bolsonaro o tratava “como um filho”, evidenciando o nível de proximidade com o núcleo familiar.
Essa relação o colocou em um espaço incomum: alguém de fora da política formal, mas com acesso direto ao cotidiano e às dinâmicas internas de uma família central na política brasileira recente.
É justamente essa combinação de proximidade pessoal, circulação no ambiente de poder e ausência de mandato ou cargo público que dá peso às suas declarações recentes. Ele trouxe à tona o que muitos sabem, mas é difícil provar: o ódio que os Bolsonaros destilam fora de casa é o mesmo que ressoa entre as quatro paredes dessa família disfuncional e cruel.
Durante participação no podcast “IronTalks”, Agustin Fernandez fez críticas diretas à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, questionando sua capacidade de conexão com o eleitorado. “Flávio é engessado, não conecta com a empregada, com o ambulante. O ego e a vaidade são maiores que a própria causa”, denunciou.
Na mesma entrevista, associou o cenário eleitoral a fatores internos da própria família Bolsonaro, apontando o que chamou de “ego” e “vaidade” como elementos que enfraquecem o grupo politicamente. Também declarou que não pretende apoiar publicamente a candidatura, indicando que não vê viabilidade no projeto diante da força de Lula (PT). “Não vou perder meu tempo sabendo que o Lula tem o Judiciário, a máquina e ainda tem carisma, a mídia, e consegue chegar em todo mundo”, disse.
As críticas não se limitaram ao campo eleitoral.
Agustin também mencionou episódios envolvendo Jair Bolsonaro, afirmando que Flávio teve postura “deplorável” ao ler uma carta relacionada ao pai durante um período de internação. Em outro ponto, disse que houve desrespeito aos eleitores ao tratar a disputa política como se a vaga estivesse “à venda”.
O conteúdo das falas chama atenção pelo tipo de crítica: não é uma discordância ideológica tradicional, mas um questionamento sobre comportamento, postura e capacidade de liderança. Ao vir de alguém tão próximo da família, o discurso ganha outra dimensão e aponta para tensões que raramente aparecem de forma pública dentro do grupo.
Na mesma entrevista, Agustin Fernandez também direcionou ataques ao blogueiro Allan dos Santos, aliado histórico do bolsonarismo e alvo de ordem de prisão preventiva no Brasil. Ele utilizou termos duros ao se referir ao comunicador: “Estelionatário, criminoso, foragido” e “um pedaço de merda insignificante”.
As declarações foram reiteradas ao longo da conversa, com novas ofensas e tentativas de desqualificação pessoal. Em outro trecho, afirmou que Allan dos Santos “é um coitado” e “o mais insignificante” entre os nomes citados por ele no campo da direita. As falas passaram a circular em cortes nas redes sociais e ampliaram a repercussão do episódio.
O episódio não só evidencia um cenário de conflitos internos no campo bolsonarista, mas expõe a incapacidade da família de dialogar e conviver pacificamente, dando uma dimensão do que são capazes em cargos cuja tomada de decisão mexe com os destinos de milhões de brasileiros. Sem perceber, o maquiador deu uma enorme contribuição ao país. Ao menos, agora, ninguém mais vai poder dizer que foi enganado.