
Uma modelo brasileira afirma ter vivido um “pesadelo” sob custódia do serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) — e diz que tudo aconteceu por influência de um aliado próximo de Donald Trump e Melania Trump.
Amanda Ungaro, de 41 anos, afirma que foi detida a pedido de Paolo Zampolli, com quem manteve um relacionamento de duas décadas e com quem disputa a guarda do filho de 16 anos.
Em entrevista ao jornal espanhol El País, Ungaro descreveu a situação como uma tentativa deliberada de destruição pessoal:
“Não bastou para ele me destruir durante 20 anos de relacionamento: ele quis me destruir novamente quando comecei uma nova vida, quando me casei.”
Segundo ela, o conflito se agravou após a separação. Em junho, Ungaro relatou que cerca de dez policiais invadiram a casa onde vivia com o atual marido, um médico brasileiro, na Flórida. Ambos foram presos sob acusação de fraude ligada a uma clínica estética, após uma denúncia anônima.
Sem antecedentes criminais, ela afirma ter sido colocada em uma cela com criminosos perigosos:
“Fui colocada em uma cela com assassinos de crianças.”
Ungaro sustenta que Zampolli utilizou sua influência política — construída ao longo de anos de proximidade com Trump — para solicitar sua transferência para custódia do ICE. De acordo com reportagens, ele teria feito contatos diretos com autoridades de imigração.

A modelo também afirma que sua situação migratória foi usada como instrumento de controle ao longo dos anos, com sucessivos vistos temporários — o último expirado em 2019.
Ela relata que, após a prisão, foi algemada e levada a um centro de detenção em Miami:
“Passei o dia inteiro chorando.”
Dentro da unidade, descreveu cenas que classificou como desumanas, incluindo uma idosa algemada a uma cadeira de rodas e uma mulher que sofreu um aborto espontâneo e demorou a receber atendimento médico. Segundo Ungaro, havia também diversos detentos com autorização legal para viver nos Estados Unidos.
The clinic had all the licenses. It's a huge lie orchestrated by the corrupt detective Kenneth Sealy, ID 289. The clinic was opened and frequented by the mayor of Aventura, FL. We have all the licenses and medical directors. There were two anonymous complaints without any basis.… pic.twitter.com/V6dP5ELOlc
— Amanda Ungaro (@AmandaUngaroA) April 12, 2026
Após três meses e meio, ela foi transferida para um centro na Louisiana antes de ser deportada para o Brasil. As condições, segundo ela, eram precárias:
“Era um salão com mais de 120 pessoas, o chão estava molhado, não havia janelas, quatro dias sem ver o sol… Saí infestada de piolhos.”
De volta ao Brasil — país que havia deixado aos 13 anos para seguir carreira como modelo —, ela diz que retornou sem nada:
“Eu não tinha nada, além do uniforme da prisão.”
Zampolli nega qualquer envolvimento na detenção. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) também afirmou que não houve interferência externa no caso.
Em declaração ao Daily Beast, o agente italiano comentou a relação conturbada com Ungaro:
“Minha relação com a mãe biológica do meu filho foi muito difícil. Eu permaneço por causa do meu filho porque, na Itália, normalmente você tem um pai e uma mãe.”
Figura conhecida da vida noturna de Nova York nos anos 1990, Zampolli é creditado por apresentar Melania a Trump. Ele também defendeu a ex-primeira-dama após declarações recentes sobre Jeffrey Epstein, negando que o empresário tenha intermediado o encontro do casal:
“Eu disse: ‘Melania, conheça Donald; Donald, conheça Melania’, e então saí da mesa porque tinha 300 convidados.”
Sobre Epstein, Zampolli afirmou:
“Para mim, Jeffrey Epstein era um parceiro financeiro da Victoria’s Secret. Eu tive que lidar com ele. Nunca nos demos bem, graças a Deus. Mas tive que manter uma relação muito cordial.”
Embora seu nome apareça em documentos relacionados ao caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça, Zampolli nunca foi acusado formalmente de crimes ligados ao financista, que morreu em 2019.
Um porta-voz de Melania Trump já declarou anteriormente que a ex-primeira-dama “não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais do Sr. Zampolli e da Sra. Ungaro”, além de não manter qualquer contato com o ICE.
O episódio não é isolado. Há outros relatos de pessoas próximas ao círculo de Trump acusadas de se beneficiar de políticas migratórias rígidas para fins pessoais — levantando novas dúvidas sobre o uso político e privado de mecanismos de deportação nos Estados Unidos.