Quem é Anderson França, testemunha do subúrbio e do realismo fantástico no Rio de Janeiro

Anderson França

Anderson França se define assim em sua pagina no Facebook: Empreendedor Social, Professor, Roteirista, Escritor e Ativista de Direitos Humanos. Com essas credenciais, ele instiga, provoca, apresenta as entranhas do subúrbio carioca (áreas mais distantes das regiões mais ricas, como a periferia em São Paulo), o que leva à reflexão. Já teve problema com a turma que combate os direitos humanos (no Brasil, tem isso) e recebeu ameaça de morte, e quem o ameaçou deu mostra de que falava sério: expos os contatos de todos os amigos e parentes, que conseguiu sabe-se lá como, mas que, ao que tudo indica, era produto de contatos com arquivos da segurança pública. Em razão disso, Anderson deixou de fazer algumas palestras em locais públicos.  Anderson França, Dinho, 42 anos, carioca de Madureira, é autor do livro “Rio em Shamas”. Segue abaixo o texto que ele publicou esta semana no Facebook. Anderson conta como os milicianos (chamados de melissas) criaram a passagem Confort no transporte público controlado por eles. “Aí a melissa pegou esse “draft” e aplicou ao seu “business plan” botando um cara no ponto de ônibus que te oferece o Bus Confort Plus Melissa Premium Addonay, que esses puto é tudo crente, e tu paga mais uns 2, 3 conto, pra ir sentado. EM alguns casos, 5 merréis, conta. Vale a leitura:

Se você quer ir sentado no transporte coletivo nos horários de pico, em qualquer lugar do mundo, é entrar no ônibus ou vagão vazio, ou sentar se alguém levantar.

Tá pronto?

NO RIO 

oscara tão VENDENDO LUGAR. No ônibus.

Em Rio das Pedras, área de milícia – que são policiais que criaram grupos paramilitares e exercem controle territorial – os “melissa” como também são chamados, oferecem o serviço de passagem Confort, por 2 conto. Tem a fila. Tem os outros passageiros. Que pagam a passagem. Mas tem você. Que pode pagar a mais pra tirar alguém de um lugar, e sentar ali. Ou ter lugar “reservado” pra tu.

Até aí, a Gol também faz. Tu paga uma grana injusta pra ir num lugar merdamente maior. Aliás, várias galinhagens e agiotagens do role já são feitas por bancos, empresas gigantes, e só eles podem, quando pobre ou o crime copia, aí a gente cospe o café assustado com tanta barbaridade. Queridos, o capitalismo é a mãe da barbárie.

Aí a melissa pegou esse “draft” e aplicou ao seu “business plan” botando um cara no ponto de ônibus que te oferece o Bus Confort Plus Melissa Premium Addonay, que esses puto é tudo crente, e tu paga mais uns 2, 3 conto, pra ir sentado. EM alguns casos, 5 merréis. Estão estudando a possibilidade de oferecer um pacote com pão e Qualy, e um copo plástico de café com leite, por mais 5 conto. E “ar condicionado individual”, Personal Clima de Montanha, que é um ventilador pequeno, de plástico, amarrado no arame no encosto de cabeça do passageiro da frente, e fica ligado na tua cara, pra dar aquele refresco, uma vez que a Prefeitura disse que as empresas deveriam botar ar condicionado, e ao que parece, as empresas meio que mandaram a Prefeitura tomar no cu.

Mas, e se tiver alguém sentado?

Aí é a vantagem de ser melissa. Ninguém nasce melissa, a pessoa se torna melissa. O melissa mete medo geraú. Vai tu não levantar pra tu ver se eles não desmembram os corpos da tua família lá na Taquara.

Mas não é só ônibus.

No TREM também esse modelo de negócios está em alta, mais que bitcoin.

No trem, você pode ir sentado por DOIS MERRÉIS.
Compra na catraca, do “amigo”, que é meio que um telemarketing ativo presencial, aí ele avisa ao “amigo” dentro do vagão, por ZAP, e ele te informa onde vai estar. Tu chega lá, ele levanta, tu senta, e fica por isso mermo. Idoso não tem direito? Então, tu compra teu direito. No melhor modelo LIBERAL E PARTIDO NOVO O PARTIDO DA LIBERDADE.

Compra, pô. Compra seu privilégio, na maior meritocracia. E onde acontece isso. Na CENTRAL DO BRASIL.

De repente vai ter planos de transporte. Tu já compra um bilhete único e um Conforto Card, que pode ser usado na Kombi, no trem, no ônibus.

Prevê merda?

Não mais do que a que a gente já vive. Em Bento Ribeiro, meteram uma cancela no bairro, copiando Vila Cosmos. E o pau tá quebrando em Madureira, porque a Guarda Municipal resolveu aplicar a “ordem” na véspera do Natal, e tá a porrada estancando lá em frente ao Mercadão de Madureira, que tá mais cheio, por conta da crise, e o povo vai lá pra barganhar. A Prefeitura que não tem moral nenhuma com os donos de empresas de ônibus, nem com melissa, nem porra nenhuma, saiu hoje trabalhada no Jeová, pra bater de pau nas costa de trabalhador de rua. Fino.

Ser carioca é ser testemunha ocular do realismo fantástico, oferecimento Derby.

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