
O Haiti voltou à Copa do Mundo após 52 anos de ausência e iniciou conversas para tentar reforçar sua seleção com jogadores descendentes de haitianos que atuam no futebol europeu. O principal alvo era Odsonne Édouard, atacante do Lens e um dos destaques da última edição do Campeonato Francês.
Édouard, no entanto, recusou a possibilidade de disputar o Mundial pela seleção haitiana. Filho de haitianos, nascido na Guiana Francesa e criado na França, o jogador afirmou que não se sentia no direito de ocupar uma vaga no elenco depois da campanha feita pelos atletas que garantiram a classificação.
“Eu não senti que tinha o direito de jogar essa Copa do Mundo porque os jogadores lutaram muito para se classificar, e eu não ia aparecer na última hora só para aproveitar. Eu tenho que conquistar isso”, afirmou Édouard.
Aos 28 anos, o atacante vive uma das melhores fases da carreira. Pelo Lens, marcou 12 gols na última edição da Ligue 1 e terminou como o quarto maior artilheiro da competição. O desempenho chamou a atenção da Federação Haitiana, que busca nomes elegíveis para qualificar o elenco antes do retorno ao torneio.

Além de Édouard, outro nome monitorado é Gorby Jean-Baptiste, jogador do Braga. A estratégia do Haiti passa por mapear atletas com origem haitiana que atuam fora do país, especialmente na Europa, para ampliar o nível competitivo da equipe no Mundial.
Édouard construiu sua trajetória no futebol francês e britânico. Revelado nas categorias de base do Paris Saint-Germain, também passou por Toulouse, Celtic, Crystal Palace, Leicester City e Lens. No Celtic, viveu um dos períodos mais vitoriosos da carreira, com títulos nacionais e sequência de gols que o consolidaram como atacante de destaque.
Pela França, o jogador brilhou nas categorias de base. Em 2015, foi campeão da Eurocopa Sub-17, torneio em que terminou como artilheiro e foi eleito o melhor jogador. Na final contra a Alemanha, marcou três gols e se tornou peça central da campanha francesa.
A decisão de não defender o Haiti agora foi recebida como um gesto de respeito aos atletas que participaram diretamente da classificação. O país não disputava uma Copa desde 1974 e vê o retorno ao torneio como um marco esportivo e simbólico.