Quem é Cilia Flores, a primeira-dama da Venezuela sequestrada pelos EUA

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 15:55
Quem é Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro

Conhecida na Venezuela como “primeira-combatente”, Cilia Flores, esposa do presidente Nicolás Maduro, foi capturada por agentes dos Estados Unidos durante a operação militar de larga escala que atingiu Caracas e outras cidades venezuelanas. A primeira-dama é considerada uma das figuras mais influentes do núcleo do poder chavista, com forte presença nas decisões políticas do regime.

Cilia Adela Gavidia Flores de Maduro tem 66 anos e ocupa uma cadeira na Assembleia Nacional desde 2016, representando o estado de Cojedes, onde nasceu. Antes de se casar com Maduro, em 2013, os dois mantinham um relacionamento desde a década de 1990, período em que ela atuava como advogada do então líder político Hugo Chávez.

Sua projeção nacional começou ainda nos anos 1990, quando teve atuação considerada decisiva na libertação de Chávez, preso após a tentativa de golpe fracassada de 1992. O episódio consolidou sua imagem entre apoiadores do chavismo e abriu caminho para que ela passasse a integrar o círculo mais restrito do movimento bolivariano.

Em 2002, durante a tentativa de golpe que afastou Chávez temporariamente do poder, Flores voltou a desempenhar papel central. À época, fazia parte do Comando Tático para a Revolução e presidia o Comando Político da Revolução Bolivariana, participando das articulações que garantiram o retorno do então presidente ao Palácio de Miraflores.

Quem é Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro

Ao longo dos anos seguintes, Cilia Flores ocupou cargos estratégicos no Estado venezuelano. Foi procuradora-geral da República e, em 2006, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, posto que manteve por cinco anos. No comando do Legislativo, ganhou fama por adotar uma condução rígida, considerada fundamental para evitar dissidências internas no Partido Socialista Unido da Venezuela em momentos de crise política.

Apesar da origem humilde frequentemente destacada por Maduro em discursos públicos, Flores acumulou poder institucional e influência política. O presidente costumava apresentá-la como alguém criada em áreas populares de Caracas, distante da elite intelectual do país, reforçando sua imagem junto à base chavista.

A trajetória da primeira-dama também foi marcada por controvérsias. Ela enfrentou acusações de nepotismo, relacionadas à contratação de parentes próximos em cargos públicos, e sempre afirmou ser alvo de campanhas de difamação promovidas por adversários políticos.

Além disso, dois de seus sobrinhos foram presos nos Estados Unidos em 2015, acusados de tráfico internacional de drogas. Eles permaneceram detidos até serem libertados em 2025, após uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas, episódio que voltou a expor Cilia Flores ao noticiário internacional.