Quem é José María Zelada, político de esquerda e novo presidente interino do Peru

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 6:26
José María Balcáza é o novo presidente interino do Peru. Foto: Peruvian Congress / AFP

O Congresso do Peru elegeu na madrugada desta quinta-feira (19) José María Balcázar Zelada como presidente interino do país após a destituição de José Jeri, que havia permanecido apenas quatro meses no cargo.

Integrante do partido de esquerda Peru Libre, Zelada venceu Maricarmen Alva Prieto no segundo turno da votação parlamentar e assumirá o mandato-tampão até as eleições gerais marcadas para 12 de abril.

Quatro candidatos disputaram a escolha, e a definição ocorreu após uma primeira rodada sem maioria absoluta. Embora o então presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, fosse constitucionalmente o próximo na linha de sucessão, ele se recusou a assumir o comando do país.

Diante disso, os parlamentares tiveram de eleger um novo presidente do Congresso, função que automaticamente implica a chefia do Executivo em caráter interino até a realização das eleições.

Destituição de José Jeri e o “Chifagate”

José Jeri foi afastado após um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com o empresário chinês Zhihua Yang, que possui lojas e uma concessão para um projeto de energia. O caso, apelidado de “Chifagate”, veio à tona após o então presidente ser filmado chegando a um restaurante à noite, de capuz, para encontrar o empresário sem divulgação oficial.

Ao todo, 75 parlamentares votaram pela destituição, 24 foram contra e três se abstiveram. O Congresso utilizou o mecanismo de censura — que exige maioria simples — para retirá-lo do cargo de presidente do Legislativo e, consequentemente, da Presidência da República. Jeri afirmou que respeitaria o resultado da votação.

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Jose Jeri, ex-presidente do Peru. Foto: Reprodução

A troca de comando reforça a instabilidade política no país andino, que teve sete presidentes nos últimos oito anos. Jeri havia assumido em outubro de 2025 após a destituição de sua antecessora, Dina Boluarte, que perdeu apoio parlamentar em meio a escândalos de corrupção e críticas pelo aumento da criminalidade.

Sem vice-presidente, ele era o então presidente do Congresso e, portanto, o próximo na linha sucessória. Sua remoção marca o terceiro afastamento consecutivo de um chefe de Estado peruano.