
Senador e ex-candidato à Presidência derrotado, Flávio Bolsonaro (PL) decidiu seguir o exemplo do golpista venezuelano Juan Guaidó e se autoproclamou “verdadeiro presidente eleito do Brasil” nesta quarta (28).
Horas depois da primeira publicação, Flávio divulgou uma nova versão da carta e retirou as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. No texto alterado, passou a se definir como “líder do Brasil” e “líder”.
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, dizia o senador na nota após fugir do Brasil.
Guaidó fez algo parecido em 2019. Na ocasião, ele era presidente da Assembleia Nacional, contestou a reeleição de Nicolás Maduro e se declarou presidente interino, alegando que não existia um chefe de Estado legitimamente eleito.

Como Juan Guaidó tentou assumir a Presidência da Venezuela
Engenheiro e integrante do partido oposicionista Voluntad Popular, Guaidó havia sido eleito deputado em 2015. Ao assumir o comando da Assembleia Nacional, ganhou projeção internacional e passou a defender uma transição política na Venezuela.
O governo de Donald Trump reconheceu Guaidó como presidente interino, posição acompanhada por dezenas de países, entre eles o Reino Unido. Governos aliados de Maduro mantiveram o reconhecimento do presidente venezuelano, que manteve o controle das instituições estatais e das Forças Armadas em Caracas.
A estratégia do opositor reuniu mobilização de rua, pressão diplomática e tentativas de atrair militares para uma ruptura com Maduro. Em abril de 2019, Guaidó e Leopoldo López convocaram uma ação que buscava estimular uma rebelião militar, mas a iniciativa não alterou o comando do governo venezuelano.
Os Estados Unidos também impuseram sanções a setores estratégicos da economia da Venezuela, incluindo o petróleo, e restringiram o acesso do governo a ativos no exterior. Mesmo com apoio internacional, Guaidó não exerceu controle sobre ministérios, forças de segurança ou a administração pública venezuelana.
Em 2020, a Operação Gideon tentou levar um grupo armado da Colômbia à costa venezuelana para capturar Maduro. O plano envolveu Jordan Goudreau, ex-integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos e chefe da empresa de segurança Silvercorp; Guaidó negou ter autorizado a incursão.
O projeto de governo interino perdeu apoio entre os próprios partidos de oposição. Em dezembro de 2022, eles votaram pelo encerramento da estrutura, formalmente dissolvida em janeiro de 2023. Guaidó passou a viver nos Estados Unidos e se afastou da política venezuelana.