Quem é Mariana? Janones revela quem é a mulher citada em debate na Globo

Atualizado em 24 de outubro de 2026 às 7:57
O deputado André Janones. Foto: reprodução

O deputado federal André Janones (Rede-MG) revelou nesta sexta-feira (23) quem era a “Mariana” citada por ele em uma série de publicações que provocaram especulações na reta final da eleição presidencial. Ao contrário das hipóteses que circularam nas redes, o nome não se referia a uma suposta amante de Flávio Bolsonaro (PL) nem à ex-assessora Mariana Mota. Trata-se de Mariana Vishegirskaya, ucraniana que se tornou um dos rostos da destruição de Mariupol após sobreviver ao bombardeio de uma maternidade em março de 2022.

A referência foi usada por Janones para chamar atenção para outra história: a de refugiadas ucranianas que, segundo mensagens reveladas em investigação jornalística, foram recrutadas para uma rede de prostituição associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mariana Vishegirskaya estava grávida de nove meses quando a maternidade de Mariupol foi atingida em 9 de março de 2022. Fotografias feitas no local mostraram a jovem, com o rosto ferido e ainda usando um pijama de bolinhas, deixando o prédio destruído em meio aos escombros. No dia seguinte, ela deu à luz uma menina chamada Veronika. As imagens tornaram-se um dos registros mais conhecidos dos primeiros meses da invasão russa.

A guerra desencadeou uma das maiores crises de deslocamento forçado do mundo. Ao final de 2022, cerca de 5,7 milhões de refugiados e solicitantes de asilo ucranianos estavam registrados na Europa, segundo o Acnur, e 87% eram mulheres e crianças.

Foi essa vulnerabilidade que Janones associou às revelações recentes sobre Vorcaro.

Reportagem do UOL baseada em mensagens obtidas em investigações afirma que o ex-controlador do Banco Master financiou uma estrutura de prostituição de alcance internacional que recrutava estrangeiras para festas e encontros privados. Entre elas havia refugiadas ucranianas. A apuração aponta investimentos de ao menos R$ 4,3 milhões na estrutura, que envolveria intermediários, despesas com mulheres e uma agência. Vorcaro nega ter explorado mulheres e contesta a interpretação dada às mensagens.

Uma das histórias reveladas é a de uma ucraniana de apenas 19 anos que chegou ao grupo em 2023. Segundo as mensagens, ela havia fugido da guerra depois de uma viagem de 14 horas de ônibus e permanecia no Brasil porque voltar para sua cidade representava risco.

“Ela não tem pra onde ir. Estão bombardeando a cidade dela”, escreveu um dos intermediários em dezembro de 2023. Em outro trecho das conversas, a jovem é descrita como “gata e novinha”. Sua mãe, segundo o diálogo, enviava áudios dos bombardeios ocorridos na Ucrânia.

As mensagens também mostram Vorcaro perguntando sobre refugiadas ucranianas e discutindo a permanência de mulheres estrangeiras no Brasil.

A Polícia Federal pediu ao STF autorização para abrir uma investigação sobre suspeitas de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual e favorecimento da prostituição em festas ligadas ao ex-banqueiro. A existência de tráfico, contudo, ainda precisa ser apurada: juridicamente, é necessário investigar elementos como recrutamento mediante fraude, ameaça, coação ou abuso de vulnerabilidade.

A escolha de Mariana Vishegirskaya por Janones, portanto, foi simbólica. A ucraniana que sobreviveu ao ataque de Mariupol não é a refugiada de 19 anos mencionada nas mensagens e não há informação de que tenha participado de festas de Vorcaro, conhecido Flávio Bolsonaro ou mantido qualquer relação com pessoas ligadas ao senador.

O nome serviu para deslocar o foco das especulações sobre uma mulher específica para a situação de refugiadas ucranianas em condição de vulnerabilidade que aparecem na investigação sobre a rede ligada a Vorcaro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.