Quem é Mariangela Hungria, a cientista brasileira na lista dos mais influentes da Time

Atualizado em 15 de abril de 2026 às 13:28
A engenheira agrônoma e microbiologista brasileira Mariangela Hungria. Foto: Divulgação

A revista ‘Time’ anunciou nesta quarta-feira (15) que Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), foi incluída na prestigiosa lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026.

A cientista, reconhecida internacionalmente, tem se destacado por suas inovações no campo da microbiologia do solo, especialmente no desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura. Ela vive há mais de 30 anos em Londrina, no Paraná, e desde 1982 é pesquisadora da Embrapa Soja.

Seu trabalho se concentra no desenvolvimento de microrganismos que ajudam a fixar o nitrogênio do ar, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Essa tecnologia tem permitido ao Brasil economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano, além de reduzir consideravelmente os impactos ambientais da agricultura.

A cientista também foi a primeira brasileira a ganhar o World Food Prize, considerado o “Nobel” da Alimentação e Agricultura, em 2025. Este prêmio reconhece o impacto de suas pesquisas, que ajudaram a transformar a forma como a soja é cultivada no Brasil, especialmente pela redução do uso de fertilizantes químicos.

Ela se destaca por seu trabalho pioneiro em insumos biológicos. Através de sua pesquisa, a Embrapa conseguiu desenvolver produtos que substituem, em larga escala, fertilizantes sintéticos usados na agricultura.

Esses insumos, compostos por microrganismos benéficos, ajudam a melhorar a saúde do solo e aumentam a produtividade das plantas, sem os danos ambientais típicos dos fertilizantes químicos. A fixação biológica do nitrogênio é uma das principais contribuições de Hungria.

Sua tecnologia foi adotada em grande parte da produção de soja brasileira, alcançando 85% da área cultivada. A substituição de fertilizantes químicos tem gerado um impacto significativo na emissão de gases de efeito estufa, com uma economia de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente a cada safra de soja.

Hungria iniciou sua carreira com a percepção de que a agricultura brasileira era predominantemente dependente de insumos químicos. Quando ela começou a trabalhar com biológicos, muitos acreditavam que esses produtos eram adequados apenas para pequenas hortas ou para a agricultura familiar.

Contudo, sua perseverança e dedicação transformaram essa visão, fazendo com que os insumos biológicos se tornassem uma solução viável para a agricultura em larga escala.

Mariangela recebeu reconhecimento no campo da agronomia. Foto: Divulgação

Em entrevista ao ‘Estadão’, ela revelou: “Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos.”

O trabalho dela não se restringe apenas ao Brasil. As tecnologias que ela desenvolveu já foram adotadas em diversos outros países, impactando a agricultura global. Ao reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos, suas pesquisas não só ajudam na economia de custos para os produtores, mas também promovem práticas mais sustentáveis, com menos danos ao meio ambiente.

Em 2025, Hungria foi premiada com o World Food Prize, destacando sua contribuição vital para a segurança alimentar mundial. O prêmio é um reconhecimento da importância de sua pesquisa na luta contra a fome e no aprimoramento das técnicas agrícolas, especialmente em tempos de crescente preocupação com as mudanças climáticas.

Além de seu trabalho científico, ela tem se dedicado à promoção da segurança alimentar e nutricional. Na Academia Brasileira de Ciências, ela coordena um grupo de trabalho sobre esses temas.

Em suas falas, ela defende que a produção de alimentos é apenas uma parte da solução para combater a fome no mundo e que é necessário um esforço interdisciplinar para garantir o acesso a alimentos nutritivos para todas as pessoas. Ela também dedica uma parte significativa de seu trabalho à valorização das mulheres na agricultura.

A cientista destaca a importância das mulheres no cultivo e cuidado das hortas comunitárias, muitas vezes invisíveis no contexto maior da produção agrícola. “As mulheres que, em grande parte, fazem agricultura, passam as ervas medicinais de avó para mãe para filha. Elas cuidam das hortas comunitárias”, afirma.

Mariangela se formou em Engenharia Agronômica pela USP e, ao longo de sua carreira, dedicou-se ao estudo da microbiologia do solo e da fixação biológica do nitrogênio. Ela realizou doutorado e pós-doutorados nas áreas de Ciência do Solo e microbiologia, com ênfase no desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.