Quem é o “barão” tio de assessor de Bolsonaro, envolvido em pornografia e processado na Escócia. Por Donato

Camilo Agasim

O Assessor Especial de Assuntos Internacionais, Filipe Martins, é uma figura que se movimenta nas sombras, mas gosta de um holofote.

Com a retirada do lacre das milícias virtuais bolsonaristas, seu nome está cada dia mais em evidência. A CPI das fake news é tudo o que ele não quer, apesar do “Vamos pro pau” em tom corajoso.

Ele chefia essa turma e seus posts no Twitter são um apanhado de patacoadas como a do último sábado:

“Os recentes movimentos de desestabilização de países sul-americanos não são espontâneos nem isolados, mas uma ramificação da estratégia definida pela ditadura cubana, por sua proxy venezuelana e pela rede de solidariedade que as sustenta. A esquerda é o flagelo da nossa região.”

Entendeu? Tudo bem, não dá mesmo.

Filipe G. Martins é tido como o responsável pelo patético discurso de míseros 6 minutos feito por Jair Bolsonaro no Fórum de Davos, um dos maiores micos da história do planeta.

O atual Assessor Especial está com o clã miliciano desde a primeira hora. Tão logo a eleição de Bolsonaro foi confirmada, ele fez uma postagem comemorando a vitória, exultante com o fim da era PT e infinitos blablablas.

Abaixo do tuíte, um comentário em espanhol, de um certo Barão de Fullwood, congratulava-o:

“Parabéns sobrinho, lutou como homem que é, herdeiro de um povo especial que veio de longe procurar um futuro melhor, sem dúvida. Como primogênito de nossa família, posso dizer que nossos ancestrais ficariam orgulhosos de você!”

Filipe Martins agradeceu: “Muito obrigado, tio! O senhor é uma grande inspiração para mim”.

A peculiaridade ficava por conta de que Filipe não era seguidor do tio no Twitter.

E hoje sabe-se porque o sobrinho desejava mantê-lo longe dos holofotes.

Barão de Fullwood (ao centro), Filipe Martins e Ernesto Araújo na CINE

Barão de Fullwood é Camilo Agasim Pereira.

Nos anos 90, esse título de barão foi comprado (!!) por um baiano chamado Patrick Hannigan e depois repassado ao tio de Filipe que passou a assinar “Baron Camilo Agasim-Pereira of Fulwood and Dirleton”.

Com direito a hífen para caprichar no tom de nobreza.

Compra-se baronato? Como dizia Nelson Rodrigues, dinheiro compra até amor verdadeiro.

Em seu LinkedIn, Barão de Fullwood informa que se garante em 7 idiomas. Por que diabos um barão precisa de LinkedIn?

Ele preside uma tal CINE Brasil, que nada tem a ver com cinema. CINE é a sigla de Câmara das Inovações e dos Negócios Estrangeiros.

Essa empresa nasceu a toque de caixa, na esteira do momento de aproximação de Bolsonaro com Israel e explica muito sobre o posicionamento da mudança da embaixada e uma priorização inédita nas relações comerciais com um parceiro tão insignificante em comparação aos países árabes.

O tio de Filipe estava fomentando isso.

O surgimento da empresa ocorreu em março, simultaneamente ao anúncio de Bolsonaro da abertura de um Escritório de Negócios do governo brasileiro em Jerusalém.

Detalhe curioso – e revestido de cinismo – é que a tal CINE é uma organização não governamental sem fins lucrativos. O governo biroliro detesta ONGs desde que não sejam de familiares dos amigos.

Em maio, o barão pegou Bolsonaro pelo braço e levou-o para condecorar o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelly, com a Comenda da Grã Cruz do Mérito Cívico e Cultural.

O “barão” (segundo da esq pra dir), com Bolsonaro e o embaixador de Israel

Embora com evidente interesse no aspecto comercial de sua empresa, o barão de Fullwood foi para essa ocasião como chanceler da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística.

O que é isso?

Uma instituição de orientação às organizações militares e civis para a concepção de seus brasões e escudos de Armas, bandeiras, símbolos, e uniformes, para que todos estejam em alinhamento com as convenções da Arte Heráldica.

Mas a exposição do tal barão teve seus efeitos colaterais.

Descobriu-se que ele esteve envolvido na distribuição de pornografia e na importação de armas de fogo não licenciadas na África do Sul em 2001.

Descobriu-se também que a “grande inspiração” para Filipe Martins é considerado falido e processado na Escócia por sonegação de impostos.

Autodeclarado cidadão do mundo e com pose de poderoso vilão de novela mexicana, o barão esteve recentemente vivendo em Goiânia, onde já é réu em ações trabalhistas.

Mas ação trabalhista, como diriam os amigos de Cristiane Brasil, quem nunca?

O tio de Filipe Martins já serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF), condecorado por operações militares no Líbano, e ainda atuou na Polícia de Israel e das Forças de Segurança, segundo sua própria apresentação na página da internet sobre o baronato de Fullwood (http://www.baronyoffulwood.com/Baron.htm).

Camilo Agasim faz inveja a Forrest Gump.

Não é apenas a aparência de quem tem mau hálito insuportável. Nada cheira bem ao redor de Bolsonaro.

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