Quem é o cantor gospel que violou prisão domiciliar para curtir lua de mel em Dubai

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 13:54
André Luís Pereira, ex-cantor gospel. Foto: Divulgação

André Luís Pereira, ex-cantor gospel, ficou conhecido não apenas por sua carreira religiosa, mas também por se tornar alvo de uma investigação policial após se envolver em um esquema de estelionato que causou prejuízos de aproximadamente R$ 300 mil.

O ex-artista gospel foi condenado pela Justiça do Distrito Federal por aplicar golpes em grandes marcas de luxo, como Prada, Gucci e Burberry. No entanto, o que chamou ainda mais atenção foi sua violação das regras de prisão domiciliar, que ele deveria cumprir em Brasília, mas, em vez disso, se mudou para São Paulo e viajou para os Emirados Árabes Unidos.

O caso de André se desdobrou em uma investigação que começou em 2021. Durante uma abordagem de rotina pela polícia, o ex-cantor foi preso em São Bernardo do Campo (SP), quando policiais suspeitaram da movimentação de um grupo de homens.

Ao ser revistado, foram encontrados cartões de crédito, celulares e um notebook com informações comprometedores. A investigação revelou que ele aplicava golpes sofisticados em lojas de luxo, utilizando uma sala comercial em Brasília para simular transações fraudulentas.

Os criminosos enganavam representantes das marcas com comprovantes de pagamento falsificados, mas sem nunca realizar as transferências bancárias correspondentes. Em setembro de 2021, André e seu grupo adquiriram produtos de luxo, como R$ 151 mil em itens da Prada e R$ 124 mil em produtos da Gucci, sem pagar as respectivas quantias.

André Luís Pereira, ex-cantor gospel. Foto: Divulgação

Mesmo depois da condenação por estelionato e associação criminosa, o ex-cantor continuou desrespeitando as condições impostas pela Justiça. Em 2024, ele se casou em uma cerimônia luxuosa às margens do Lago Paranoá, em Brasília, e no dia seguinte embarcou para uma lua de mel em Dubai e Abu Dhabi. Durante a viagem, o casal ostentou a vida de luxo nas redes sociais, com fotos de passeios no deserto e estadias em hotéis de alto padrão.

Além da viagem internacional, André também se mudou para São Paulo, onde atualmente vive no condomínio Wave Alphaville, um local conhecido por sua discrição e elevado padrão de moradia. Essa mudança, no entanto, violou outra das regras de sua prisão domiciliar, que exige autorização judicial para qualquer alteração de endereço.

As violações das condições da prisão domiciliar evidenciam as falhas na fiscalização do cumprimento da pena. As regras do regime de prisão domiciliar são claras: o condenado não pode sair da comarca sem autorização judicial, deve informar qualquer mudança de endereço e cumprir todas as condições impostas pela Vara de Execuções Penais (VEP).

No entanto, apesar dessas condições, André seguiu com sua vida luxuosa, desafiando a legislação. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), ao ser questionada sobre a fiscalização de sua prisão, respondeu que “não divulga dados da situação processual de custodiados”, deixando no ar a dúvida sobre a eficácia do controle sobre sua situação.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.