Quem é o cartunista brasileiro classificado como um dos 10 maiores antissemitas do mundo

Carlos Latuff e suas críticas a Israel — e aos fundamentalistas muçulmanos, os homofóbicos etc etc


O cartunista carioca Carlos Latuff entrou na lista anual do Centro Simon Wiesenthal dos 10 piores atos de antissemitismo do mundo. Latuff desenhou o premiê israelense Benjamin Netanyahu torcendo um bebê palestino sobre uma urna, durante a guerra na Faixa de Gaza, ilustrando sua opinião de que a grande motivação de Netanyahu era ganhar votos nas eleições de janeiro. “Durante o conflito recente instigado pelo Hamas contra o estado judeu, o cartunista brasileiro fustigou Israel e o primeiro ministro por fazer o que qualquer líder mundial faria contra os ataques de foguetes cujo alvo eram civis inocentes”, diz o relatório que condenava o desenhista.

 

A charge ganhadora do terceiro lugar no ranking do antissemitismo

 

 

Latuff afirmou ter recebido com “tranquilidade” o título e que “crítica ou mesmo ataque à entidade política chamada Israel não é ódio aos judeus porque o governo israelense NÃO representa o povo judeu, assim como nenhum governo representa a totalidade de seu povo”. Não é a primeira vez que ele bate de frente com o Centro Simon Wiesenthal – especificamente, com o diretor e fundador, o rabino Marvin Hier, que atacou um trabalho anterior, publicado no site Huffington Post. “É quase pior que antissemitismo”, disse Hier.

É um exagero evidente. Latuff aparece na companhia do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, com sua conversa de “400 anos de dominação do clã sionista”, de um religioso egípcio que pediu para Alá “destruir os judeus e seu apoiadores” numa rede de televisão, do líder do grupo radical Nation of Islam, Louis Farrakhan, do partido grego nazista Amanhecer Dourado e do partido de extrema direita húngaro Jobbik.

Latuff tem Israel na mira frequentemente e abusa da iconografia nazista para reforçar seu ponto. Mas suas charges atiram para vários lados. É um ativista de esquerda que, depois de uma viagem à Cisjordânia, em 1999, tornou-se simpatizante da causa palestina. No ano passado, fez a crônica do desenrolar da Primavera Árabe. Desenhos atacando as ditaduras da região foram publicados em sites e reproduzido em panfletos distribuídos nas ruas. Alguns foram ampliados e carregados por manifestantes. Mais recentemente, criticou o presidente do Egito, Mohammad Morsi, e a nova constituição influenciada por fundamentalistas islâmicos. Já bateu em Lula, Bush e Tony Blair. Também vai para cima de homofóbicos e de Obama. O cara é rápido: hoje mesmo já havia tirado um sarro de sua medalha de bronze e postado em sua conta no Twitter.

“Charge incomoda”, afirma Latuff. O mérito de sua “condenação” foi ter tornado seu nome mais conhecido por nós, brasileiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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