Quem é o deputado bolsonarista preso em operação que envolve o CV

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 15:16
O deputado estadual bolsonarista Thiago Rangel (Avante), do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

O deputado estadual bolsonarista Thiago Rangel (Avante), preso nesta terça-feira (5) pela Polícia Federal, é uma figura conhecida no interior do Rio de Janeiro. Natural de Campos dos Goytacazes, ele tem 39 anos e se apresenta como empresário do setor varejista, com atuação ligada a postos de combustíveis. Uma das fases da operação apurou o vazamento de informações sigilosas ao Comando Vermelho (CV).

Antes de entrar na política, Rangel trabalhou como motorista, com salário de cerca de R$ 1 mil em 2014, segundo dados das investigações. Sua primeira eleição ocorreu em 2020, quando conquistou uma vaga como vereador em Campos, declarando patrimônio de R$ 224 mil à Justiça Eleitoral.

Dois anos depois, ao se eleger deputado estadual com 31,1 mil votos, declarou bens de R$ 1,9 milhão, incluindo participação em 18 postos de combustíveis. O crescimento patrimonial registrado no período foi de cerca de 700%, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante o mandato como vereador, o parlamentar participou da criação do programa Cartão Goitacá, voltado à transferência de renda no município. Ele também ocupou cargos na administração estadual, como funções na Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas e na Diretoria de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ).

O bolsonarista Thiago Rangel e sua filha, Tamires. Foto: Reproduão

Rangel é pai da vereadora Thamires Rangel (PMB), eleita em 2024 aos 18 anos. No mesmo ano, ela foi nomeada subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade, mas acabou exonerada nesta terça (5) pelo governador interino Ricardo Couto.

O deputado já havia sido alvo da Operação Postos de Midas, em 2024, que investigava lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis. Segundo a PF, empresas ligadas ao grupo teriam sido usadas para ocultar recursos de contratos públicos com suspeita de sobrepreço.

Na época, Rangel negou irregularidades e afirmou confiar na Justiça. Agora, ele volta a ser investigado na Operação Unha e Carne, que apura fraudes em contratos de materiais e obras na rede estadual de ensino.

Nesta nova fase, a Polícia Federal aponta indícios de ligação do parlamentar com um esquema de direcionamento de contratações. Os investigados podem responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Até a última atualização, a defesa não havia se manifestado sobre a prisão.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.