Quem é o dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 16:06
Augusto Lima. Foto: Vaner Casares/Assembleia Legislativa da Bahia

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central nesta quarta (18), recolocou no centro das atenções o nome de Augusto Ferreira Lima. Controlador da instituição desde julho de 2025, ele é ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e já foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Nascido em uma família de classe média de Salvador (BA), ele cursou Economia em uma universidade particular da região e se formou em 2022 com um trabalho final sobre a indústria do Carnaval. Posteriormente, ele trabalhou com venda de abadás até entrar no setor financeiro com a empresa Terra Firme da Bahia. Ele também fundou as associações de servidores que prestavam serviços financeiros a funcionários públicos.

Preso preventivamente em novembro do ano passado, Lima hoje responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. Antes de assumir o Pleno, Lima ganhou projeção ao comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).

No pacote, levou o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos. O produto nasceu na Bahia e depois foi expandido nacionalmente em parceria com o Banco Master, tornando-se uma peça no mercado de crédito consignado.

Augusto Lima e a esposa Flávia no Carnaval de Salvador em 2025. Foto: Reprodução

Documentos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS apontam que a expansão do Credcesta transformou o cartão em ativo financeiro negociado com fundos e outras instituições. Parte dos créditos oferecidos a aposentados e pensionistas, segundo o requerimento, não teria sido devidamente informada às autoridades ou operava sem estrutura compatível com as exigências regulatórias.

Em meio à crise do Master, Lima solicitou ao Banco Central autorização para assumir o então Voiter, rebatizado como Banco Pleno. A aprovação saiu em cerca de 45 dias, prazo considerado incomum no setor. À época, o BC já havia comunicado ao Ministério Público suspeitas envolvendo o Master.

O Banco Central sustentou que Lima atendia aos requisitos formais, incluindo patrimônio estimado em R$ 1 bilhão e “reputação ilibada”, já que não havia condenação definitiva. Técnicos da autoridade monetária argumentaram que, sem decisão judicial, não haveria base legal para negar o pedido.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.