Quem é o fundador de empresa de mercenários que sugeriu colonizar países que “não podem se governar”

Atualizado em 11 de fevereiro de 2024 às 20:27
Erik Prince, co-fundador da empresa de mercenários Blackwater. Foto: Reprodução

Erik Prince, co-fundador da empresa de mercenários americana Academi (ex-Blackwater), sugeriu recentemente que os Estados Unidos deveriam colonizar países que não conseguem “se governar” e citou os países da África. Aliado do ex-presidente Donald Trump, ele chegou a recrutar ex-espiões americanos e britânicos para se infiltrar em campanhas eleitorais de democratas, organizações sindicais e outros grupos contrários à gestão republicana.

Ele é irmão de Betsy DeVos, que foi secretária de Educação de Trump, e trabalhou de maneira informal para o ex-conselheiro de Segurança Nacional do país, Michael Flynn, durante o período de transição presidencial.

Em 2017, Prince teve reuniões com funcionários da Casa Branca e do Pentágono para propor um plano para privatizar a guerra do Afeganistão, que ocorre desde 2001 e utiliza funcionários terceirizados ao invés de militares.

O co-fundador da empresa de mercenários também foi alvo de investigações do Departamento de Justiça do país por violar leis de exportação dos Estados Unidos. Ele também foi acusado de mentir para uma comissão do Congresso que investigava interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

Em 2019, a Comissão de Inteligência da Câmara chegou a pedir para que ele fosse investigado criminalmente por ter mentido sobre as circunstâncias de um encontro com banqueiro russo em Seicheles, arquipélago perto da costa leste da África, dois anos antes.

Prince também atuou nos bastidores do governo americano para tentar derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, buscando investimento e apoio político com partidários de Trump para realizar a operação no país. Em reuniões reservadas nos Estados Unidos e na Europa, ele apresentou um plano para colocar em campo cerca de 5 mil soldados mercenários, que seriam contratados por Juan Guaidó.

Soldados da Blackwater atuaram em massacre que deixou 17 civis iraquianos mortos em 2007. Foto: Reprodução

A Blackwater foi fundada em 1997 e renomeada “Xe Services” em 2009, dois anos depois de seus funcionários assassinarem ao menos 17 civis iraquianos e ferir 20 em Bagdá, no episódio que ficou conhecido como Massacre da Praça Nisour. Na ocasião, a empresa foi contratada pelos Estados Unidos para fornecer serviços de segurança e seus funcionários atiraram contra o grupo enquanto escoltavam um comboio da embaixada do país.

Em 2015, um ex-agente da empresa foi sentenciado à prisão perpétua e outros três receberam penas de 30 anos de prisão pelo massacre. Os quatro foram declarados culpados por acusações que variam de homicídio doloso qualificado a homicídio não premeditado.

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