Quem é o policial que matou George Floyd nos EUA. Por Donato

Atualizado em 28 de maio de 2020 às 21:48
O policial Derek Chauvin

A mão no bolso e os óculos no alto da cabeça, o semblante sereno, como se estivesse em uma tarefa pra lá de corriqueira e banal.

Essa é a fotografia de Derek M. Chauvin, um policial branco de Minneapolis (EUA) em uniforme de trabalho.

Na verdade, Derek estava há 5 minutos ajoelhado sobre o pescoço de George Floyd, que dizia não estar conseguindo respirar.  Floyd, negro, acabou morrendo.

O mais recente de uma interminável lista de casos de racismo por parte da polícia americana provocou a fúria da população que colocou a cidade em chamas. Carros, prédios e lojas foram incendiados.

Mas quem é Derek Chauvin, o policial branco, e por que isso se repete continuamente?

Derek tem um histórico problemático. Uma ficha corrida que deveria ter impedido que permanecesse em patrulhamento de rua.

Existem nada menos que 12 queixas de brutalidade policial contra ele no banco de dados do Departamento de Polícia de Minneapolis.

Ele foi um dos policiais que assassinaram Wayne Reyes, um latino, com 42 tiros. Desse total, segundo a perícia técnica, 16 balas foram disparadas por Derek.

Derek esteve envolvido em 2011 em um tiroteio considerado “inapropriado” pela polícia. Na ocasião, um americano nativo do Alasca, Leroy Martinez, foi alvejado.

Em 2008, o policial Derek atirou em Ira Latrel Toles, um homem negro, de 21 anos, que estava desarmado.

Em 2005, Derek e outro policial se envolveram em uma perseguição a um carro. A ação causou a morte de três pessoas de acordo com o movimento social Comunidades Unidas Contra a Brutalidade Policial.

Uma particularidade une as ações criminosas de Derek Chavin: suas vítimas são sempre negros ou latinos. O policial comprova um racismo institucionalizado da corporação e da sociedade americana, algo muito semelhante com o que temos por aqui.

Embora demitido agora, Derek está sendo defendido por Tom Kelly, o mesmo advogado que representou o policial Jeronimo Yanez (que assassinou Philando Castile em 2016, outro caso emblemático). Jeronimo saiu inocentado.

Na grande maioria das vezes, é esse o desfecho para excessos de policiais brancos contra civis negros: saem absolvidos.

A “técnica de imobilização” usada por Derek em George Floyd não faz parte do manual de treinamento dos departamentos de polícia. Mas ele não parecia estar se importando com isso. Sua reação era tranquila. Sua postura desdenha do lema Black Lives Matter.

“O racismo não está piorando. Está sendo filmado”, tuitou o ator Will Smith. Nem isso fez Derek parar.