
O resultado das eleições húngaras de 12 de abril foi um marco histórico, com a derrota do premiê Viktor Orbán, após 16 anos no poder. O principal adversário dele, Péter Magyar, do partido Tisza, foi o grande vencedor, conquistando 45,7% dos votos.
O anúncio de vitória veio após o reconhecimento de Orbán, que admitiu a derrota ao seu partido, o Fidesz. Com essa vitória, Magyar assume o cargo de primeiro-ministro da Hungria, encerrando um ciclo de hegemonia de Orbán no país.
O slogan dele, “Agora”, que ressoou com um forte apelo à mobilização popular, ganhou destaque durante sua campanha. Inspirado por um chamado revolucionário do século 19, Magyar foi implacável em seus comícios, visitando todos os 106 distritos eleitorais da Hungria e realizando até seis eventos diários.
O bordão, que originalmente dizia “Agora ou nunca”, foi adaptado para reforçar a urgência da mudança. Ao longo de sua campanha, Magyar conseguiu conquistar uma base de apoio sólida, incluindo comunidades húngaras que tradicionalmente apoiavam Orbán e seu partido.
Magyar, que foi membro do Fidesz até 2024, rompeu com o partido após um escândalo político envolvendo a concessão de perdão por parte da presidente Katalin Novák, em um caso relacionado a abusos sexuais. Esse caso também envolveu sua ex-esposa, Judit Varga, então ministra da Justiça.
A sua ruptura com o Fidesz foi confirmada em uma entrevista ao vivo, no canal de YouTube pró-oposição, Partizán, onde ele explicou aos húngaros por que deixou o partido e passou a criticar abertamente a corrupção e a falta de transparência do governo de Orbán.

A entrevista, que foi vista por mais de um milhão de pessoas, colocou ele como uma nova esperança política para os húngaros desiludidos com o governo atual. Magyar também se destacou por sua postura de não se alinhar completamente à União Europeia, buscando atrair eleitores conservadores insatisfeitos com Orbán.
A autoconfiança em sua campanha vem do profundo conhecimento do seu adversário, já que Magyar, até 2024, fazia parte do próprio círculo de poder de Orbán. Com o partido Tisza, ele conseguiu 29,6% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu de 2024, posicionando-se como uma força política crescente.
Embora o Fidesz tenha obtido 44,8% dos votos, Magyar conseguiu ampliar sua base e fortalecer sua candidatura, principalmente ao criticar a aproximação de Orbán com a Rússia e sua postura contra a Ucrânia. Ele acusou Orbán de ser o “aliado mais leal do Kremlin”, contrastando suas posições políticas com as de seu antigo líder.
Aos 45 anos, Péter Magyar, nascido em Budapeste. Filho de dois advogados e com uma sólida formação acadêmica, ele entrou para o Fidesz na juventude. Ele afirma que a Hungria precisa de mudanças urgentes e que essa é uma oportunidade única para o país.