
A trajetória profissional de Juliana Mattos de Lima Santiago ajuda a dimensionar a gravidade do crime que abalou Porto Velho na noite de sexta-feira (6). Aos 41 anos, ela conciliava duas funções de alta responsabilidade: era professora do curso de Direito em uma instituição particular e atuava como escrivã da Polícia Civil de Rondônia.
Reconhecida pela dedicação ao ensino e pelo rigor técnico no exercício da função pública, ela era considerada uma referência tanto no meio acadêmico quanto na área jurídica da capital.
Juliana Mattos de Lima Santiago construiu sua carreira marcada pelo compromisso com a formação de novos profissionais do Direito. Colegas relatam que ela mantinha uma postura exigente em sala de aula, mas sempre pautada por critérios objetivos e transparência na avaliação dos alunos. A mesma disciplina era levada para o trabalho na Polícia Civil, onde atuava diretamente em procedimentos formais e no apoio a investigações.
O cara matou a facada a professora dentro da faculdade.
Que loucura. pic.twitter.com/tifnbfqTvb— Ale Pavanelli (@EuAlePavanelli) February 7, 2026
O crime ocorreu dentro da própria instituição de ensino, um ambiente associado à formação e ao debate intelectual. Segundo as informações apuradas, Juliana foi atacada por um estudante, identificado inicialmente como João Júnior, que teria nutrido ressentimento após ser reprovado em uma disciplina ministrada por ela no semestre anterior.
A reprovação, conforme relatos, ocorreu por uma diferença de apenas três décimos na média final, o que teria despertado forte revolta no aluno.
Na primeira aula do novo semestre, o comportamento do estudante chamou a atenção. Ele se sentou na primeira fila, posição incomum para quem costumava permanecer no fundo da sala, e manteve o olhar fixo na professora durante toda a aula. Após o término, com a sala vazia, fechou a porta e pediu um abraço. Em seguida, desferiu vários golpes de faca contra Juliana.
Socorrida em estado grave, a professora foi levada ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Militar, e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias do homicídio, incluindo possíveis episódios anteriores de conflito e o comportamento do aluno nos dias que antecederam o ataque.