Quem eram as funcionárias mortas no ataque ao Cefet do Rio de Janeiro

Atualizado em 28 de novembro de 2025 às 22:21
As funcionárias do Cefet Layse e Allane em montagem de duas fotos
As funcionárias do Cefet Layse e Allane – Reprodução

Duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã, morreram nesta sexta (28) após serem baleadas por um colega dentro da unidade. Com informações do jornal O Globo.

A professora Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro foram socorridas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiram aos ferimentos. O autor dos disparos, identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos, tirou a própria vida em seguida.

Quem era Allane de Souza Pedrotti Matos

Allane era doutora em Letras pela PUC-RJ, com pesquisa concluída em 2020 e período de estudos na University of Copenhagen, na Dinamarca, financiado pela Capes. Ela tinha graduação em Pedagogia pela UFRJ, especialização em Psicomotricidade pela Universidade Cândido Mendes e mestrado em Sistemas de Gestão pela UFF. Atuava como coordenadora pedagógica do Cefet/RJ na Direção de Ensino e integrava comissões acadêmicas da instituição.

Fora do ambiente acadêmico, Allane era cantora, compositora e pandeirista. Integrava o Grupo Quilombo Urbano, ligado ao Renascença Clube. Em suas redes sociais, compartilhava apresentações musicais e publicou, na manhã desta sexta (28), um vídeo cantando “Queixa”, de Caetano Veloso, acompanhado da legenda “Uma ótima sexta, com essa poesia”.

Quem era Layse Costa Pinheiro

Layse Costa Pinheiro era servidora pública federal e ingressou no Cefet em 2014 como primeira colocada no concurso de psicologia. Trabalhou na área de Gestão de Pessoas até 2017 e, desde então, atuava em Psicologia Escolar. Era graduada pela Uerj, com especialização em Gestão de Pessoas, e iniciou mestrado em Psicologia Social, no qual também obteve o primeiro lugar na seleção. Nas redes sociais, se definia como “apaixonada por música e dança de salão”.

Como ocorreu o ataque

Segundo relatos, João Antônio Miranda Tello Ramos chegou pela manhã ao Cefet e cumprimentou funcionários normalmente. À tarde, entrou na Direção de Ensino e efetuou disparos que atingiram Allane e Layse, ambas lotadas na área administrativa e pedagógica do setor. Allane foi baleada na cabeça e no ombro, enquanto Layse foi atingida na cabeça e no tórax. As aulas do turno da noite foram canceladas.

João Antônio Miranda Tello Ramos sério em foto em preto e branco com pouca qualidade
O pedagogo João Antônio Miranda Tello Ramos – Reprodução

Ação policial e nota da instituição

A Polícia Militar informou que agentes do 6º BPM foram acionados após registro de disparos dentro da unidade. No local, encontraram as duas vítimas feridas e prestaram apoio ao trabalho do Corpo de Bombeiros. Em buscas nas dependências, policiais localizaram o corpo do homem que seria o autor dos disparos. O Cefet divulgou nota lamentando “essa tragédia que chocou a comunidade acadêmica” e decretou luto oficial por cinco dias a partir de (1º).

Relatos de estudantes e funcionários

Alunos relataram momentos de pânico durante o ataque. O estudante Jonatam Araújo, de 19 anos, afirmou que ouviu quatro disparos durante a aula e foi orientado por policiais a permanecer na sala. Maria Beatriz Albuquerque, de 18 anos, disse que estava no pátio e percebeu a gravidade da situação ao ver colegas correndo e funcionários pedindo ambulância.

A estagiária Adrynni Emannuele, de 26 anos, contou que se abrigou na cantina até ser autorizado sair. Já a estudante Mariah Emanoela da Silva, de 18 anos, relatou que a escola estava cheia devido a uma confraternização de fim de ano e descreveu o momento de corrida para deixar o prédio após o alerta para acionar polícia e Samu.

O professor de física Hilário Rodrigues estava com cerca de 25 alunos no terceiro andar quando foi avisado do tiroteio. Ele afirmou que manteve a turma na sala até receber orientação da Polícia Militar para a saída segura, informando que não houve treinamento prévio para esse tipo de situação.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.