
O túmulo de Maria Elizabeth de Oliveira, no Cemitério Vera Cruz, em Passo Fundo, atrai devotos há seis décadas. Morta aos 14 anos, em 1965, a adolescente é conhecida como “santinha de Passo Fundo” e se tornou uma santa popular no Rio Grande do Sul. Fiéis visitam o jazigo para fazer pedidos e agradecer graças atribuídas à intercessão da menina.
Maria Elizabeth morreu após ser atropelada por uma Kombi que invadiu a calçada onde ela brincava com amigas, na Avenida Presidente Vargas. Outras quatro crianças também foram atingidas, mas apenas ela sofreu ferimentos graves e faleceu horas depois no hospital. O acidente teve grande repercussão na cidade e mobilizou moradores em frente à casa de saúde.
Com o passar dos anos, relatos de que a adolescente teria previsto a própria morte fortaleceram a devoção. Segundo registros reunidos no livro “Maria Elizabeth de Oliveira: uma estrela no céu”, publicado em 1969, a jovem teria comentado que desejava comemorar seus 15 anos “no céu”. Há ainda relatos de que ela teria escolhido um caixão em uma vitrine antes do acidente.
A historiadora Gizele Zanotto avalia que a trajetória da menina reúne elementos comuns a narrativas de santidade popular: vida considerada virtuosa, morte trágica e relatos de graças alcançadas. No túmulo, é comum encontrar rosas vermelhas, bilhetes, placas, fotografias e objetos deixados por devotos.

Nascida em 6 de fevereiro de 1951, Maria Elizabeth foi batizada na Paróquia Santa Terezinha e frequentava atividades religiosas na cidade. Estudou em colégios locais e auxiliava como voluntária no Lar da Menina. Meses antes do acidente, havia voltado a morar com os pais em Passo Fundo.
Apesar da forte devoção popular e de atrair visitantes de outros estados e até de países vizinhos, Maria Elizabeth não é reconhecida oficialmente como santa pela Igreja Católica. Não há processo de canonização em andamento, e sua veneração permanece no âmbito da fé popular.