Quem poderá ser presidente em 2022? Por Renato Janine Ribeiro

Bolsonaro, Lula, Ciro e Doria. Foto: AFP

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

POR RENATO JANINE RIBEIRO, ex-ministro de Dilma Rousseff e filósofo

QUEM PODERÁ SER PRESIDENTE EM 2022?
(lembrando que tudo isso pode mudar).

Hoje, as forças mais prováveis parecem ser:

1) A extrema-direita tem fortes chances, pelo menos, de ir para o segundo turno. Tem a presidência e uns 15% de núcleo duríssimo, que nada tira dela. Bolsonaro é o nome.

2) A direita que não ousa dizer seu nome (apresenta-se dizendo: “me chamo centro”) pode articular um candidato, mas ela sempre foi ruim de votos, por isso no vamos-ver aposta para vencer num demagogo meio louco. Mas digamos que ela consiga se unir. Tem um ótimo articulador, que é Rodrigo Maia, mas que não empolgaria os votos para ser presidente. Há Luciano Huck, o sonho de FHC, mas pode ser que o tempo dos outsiders já tenha passado, conforme comentei outro dia a seu respeito. João Doria pode se fortalecer se enfrentar bem a covid, com a vacina, mas não se sabe. De todo modo, sua prioridade precisaria ser desbancar o candidato Bolsonaro, porque dificilmente teremos um segundo turno entre direita e extrema-direita. A propósito: Sergio Moro está com as ações em forte queda e eu, como Rodrigo Maia, jamais o colocaria na direita, e sim na extrema.

3) Uma aliança entre centro-direita (sic) e centro-esquerda, como Ciro Gomes tem pregado, seria uma alternativa forte nas urnas. O problema é construí-la! Precisaria de uma boa parte dos nomes do item 2, mais o próprio Ciro, talvez Marina Silva, quem sabe parte do PSB… Mas quem vai montar isso? Ciro não é bem o perfil do bombeiro ou do articulador. Não mede as palavras, deve haver muito possível parceiro que se ofendeu com ele.

4) A esquerda. Também tem chances de ir ao segundo turno, mas se for com um nome do PT (seu partido mais forte) corre dois riscos. O mais evidente é de perder para Bolsonaro ou quem seja, no segundo turno. O PT parece ter voltado à época da teoria original do poste: Delfim Neto dizia na década de 1990 que, se fosse lançado um poste contra o PT, o poste ganharia. O risco menos evidente, porém mais grave, seria ela nem chegar ao segundo turno. Isso até pode acontecer, se o partido passar a imagem de que está estagnado. Imagem esta que as eleições deste ano emitiram, com tantas derrotas do PT, com tão poucos nomes petistas indo para o segundo turno. Já a chance do PT é se aliar com forças mais à sua direita (o que NÃO quer dizer nomes de direita – apenas, nomes mais na centro-esquerda).

O ideal seria uma candidatura única do campo progressista, não necessariamente do PT. Mas já vimos que é quase impossível Ciro entrar nesta, e o PSB é difícil, em especial depois que João Campos ganhou no Recife. Flavio Dino é um nome ótimo, mas vai ser atacado o tempo todo por ser “comunista”, o que no Brasil custa votos.

Resumindo, diria hoje que o segundo turno provável seria entre um nome progressista e Bolsonaro. Aí a questão seria como evitar uma nova vitória do capitão. Mas este é outro assunto.

Ah, quem quiser pode colocar nos comentários o nome que preferir (ah como gosto da minha avó!). Mas gostaria que todos entendessem que NÃO falei aqui de preferências, procurei fazer uma ANÁLISE. São coisas diferentes, ok?

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