Quem ainda precisa de um novo Superhomem?

O Homem de Aço é um heroi anacrônico, chato e que ainda tenta vender o american way.

Ele
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O Superhomem é mais fora de lugar, no mundo de hoje, do que Joaquim Barbosa e todos aqueles políticos picaretas que adoram andar de avião da FAB.

O Homem de Aço, filme produzido por Christopher Nolan (o mesmo da trilogia do Batman) que estreia no Brasil na próxima sexta, faz uma tentativa de humanizar o heroi. Ele era um menino esquisito na escola. Ninguém entendia seus poderes. Ele não tinha amigos. Seu pai adotivo (Kevin Costner) o obrigava a se conter mesmo em situações extremas. Seu pai adotivo o repreendia por qualquer motivo — inclusive por salvar um ônibus escolar cheio de crianças.

Mas não adianta. Para Batman, conflitos internos e dúvidas morais fazem sentido — não é fácil ser um justiceiro fantasiado de morcego. Superhomem só ganha, ganha e ganha. Ele voa, é invulnerável, tem olhar de raio x, é bonito e capaz de erguer uma plataforma de petróleo no ar.

E ele é americano, total e inapelavelmente americano. Seu lema clássico, “lutar pela verdade, pela justiça e pelo american way”, continua valendo. Mas quem ainda acredita que os problema do planeta serão resolvidos por alguém com um uniforme nas cores azul e vermelho? Quem deu a esse cara esse mandato?

Ninguém. Talvez há 50 anos. Superhomem não envelheceu bem. Ele surgiu nos anos 30, durante a Depressão, com um perfil de heroi do povo. Prendia banqueiros e negociantes inescrupulosos, devolvia o dinheiro para pobres, batia nos racistas da Ku Klux Klan. Seus criadores eram dois jovens judeus, filhos de imigrantes durangos. Com o tempo, Superhomem tomou as feições do all american boy.

Se a história fosse boa, qualquer coisa seria perdoável. Mas ela é refém de uma camisa de força narrativa: basicamente, com a kryptonita, ele fica fraquinho; sem a kryptonita, ele é invencível. Não há muita variação possível dentro desse limite.

Os produtores se livraram da cueca por cima da calça, mas não há o que resolva a falta de carisma do ator principal Henry Cavill. O vilão desta vez não é Lex Luthor, mas o general Zod (Michael Shannon), um golpista de Krypton de quer destruir a Terra. Zod vai atrás de Superhomem com sua gangue. Todos eles têm superpoderes — ou seja, os quebra paus de 20 minutos saem empatados.

Os filmes de Christopher Reeve continuam insuperáveis. Eles tinham humor e uma certa poesia. A cena em que o heroi volta no tempo para ressuscitar sua namorada é absolutamente inesquecivel. E havia Gene Hackman como Lex Luthor.

Tudo o que este Homem de Aço quer é ser aceito pelo exército americano — e, basicamente, por todos que o rejeitaram. Ele é um bom menino. Ele se desdobra para ser amado. Ele não guarda mágoa de ter sido subjugado pelos militares que queriam entregá-lo a Zod. Tudo o que Super quer é servir ao país que o acolheu tão bem.

Afinal, como ele mesmo, diz, ele é só um garoto criado em Kansas (além de um superbundamole que deveria ter pendurado a superchuteira há algum tempo).

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