Quem são aqueles colombianos que jogam como os brasileiros de antigamente?

James Rodriguez
James Rodriguez

Ladies & Gentlemen:

Num de meus filmes favoritos, Butch Cassidy, os dois mocinhos-bandidos olham de longe para  homens que os perseguiam como jamais acontecera antes e perguntam: “Quem são aqueles caras?”

Uso a mesma pergunta sobre o camisa 10 da Colômbia, James Rodriguez: quem é aquele cara?

Rodriguez é, sem dúvida, um dos destaques da Copa. O gol que ele marcou hoje de sem-pulo contra o Uruguai foi o mais lindo da Copa.

A maneira como Rodriguez controlou a bola, ajeitou-a para a perna esquerda e, antes que ela tocasse a grama, disparou-a rumo à forquilha uruguaia – bem, parecia uma pintura de Turner.

Esperávamos ver coisas assim de Cristiano Ronaldo, não de um jovem colombiano de 22 anos que chegou à Copa sem que ninguém falasse dele.

Ele foi para a Europa cedo, como acontece no Brasil. Jogou três anos em Portugal e agora está na França, no Mônaco.

Rodriguez é o atual  artilheiro da Copa, com cinco gols em quatro jogos.

Detesto dizer isso, mas Rodriguez é um jogador que me remete àquilo que, em minha fantasia de inglês, imagino num jogador brasileiro. É um artista da bola, em suma.

Não é o único artista colombiano, de resto. Cuadrado, meio campista, é também uma festa para quem gosta de ver futebol bem jogado. Dribla, arma, distribui, chuta, marca: é um faz tudo. Tem 26 anos e joga no futebol italiano.

Chamo a atenção para um lance em especial hoje. Cuadrado avançava velozmente quando um zagueiro uruguaio tentou derrubá-lo.

Ele quase caiu, mas se ergueu e seguiu adiante. Só sucumbiu quando um outro uruguaio o acertou, logo depois.

Pensei em Neymar, que teria se atirado ao chão aos berros no primeiro toque. Por coisas assim, ele ficou desacreditado diante dos árbitros e dos próprios espectadores: você nunca sabe quando Neymar está fingindo. Neymar tem coisas a aprender com Cuadrado.

Senhoras e senhores: a Colômbia é superior ao Chile e, na verdade, ao próprio Brasil. Basta comparar as duas campanhas.

Mas, paradoxalmente, o Brasil terá mais facilidade em enfrentar a Colômbia do que contra o Chile. Por uma razão: os colombianos jogam muito mais abertos que os chilenos. Não exercem uma marcação opressiva. São, ainda, sul-americanos, e isto é um elogio.

Se há uma chance de os jogadores brasileiros mostrarem o futebol brasileiro, ei-la.

Será uma pena se isso não acontecer. Teremos que aceitar que só veremos o futebol brasileiro, na Copa, em colombianos como James Rodriguez e Cuadrado.

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!

Compartilhar
Artigo anteriorO milagre da Copa
Próximo artigoA justa quase-maldição da vaia ao hino
Avatar
Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.