Quem são os dois brasileiros mais cotados para substituir o papa Bento XVI

Odilo Scherer e João Bráz de Aviz são os nomes citados nas bolsas de apostas.

Odilo Pedro Scherer
Odilo Pedro Scherer

A notícia da renúncia do papa atiçou a bolsa de apostas para ver quem será seu sucessor. Bento XVI avisou que vai sair do trono de Pedro no fim deste mês depois de oito anos de mandato. Antes dele, apenas três pontífices fizeram o mesmo: Bento IX, em 1045; Celestino V, em 1294; e Gregório XII, em 1415. Quem quer que o substitua, terá de conviver com o fato de seu predecessor continuar vivo.

Depois de João Paulo II, polonês, e do alemão que está de saída, as portas estão definitivamente abertas para outras nacionalidades que não a italiana. “Eu conheço muitos bispos e cardeais da América Latina que poderiam assumir a responsabilidade global pela Igreja”, disse o arcebispo Gerhard Mueller, chefe da Congregação pela Doutrina da Fé. Dois nomes brasileiros estão bem cotados pelos especialistas: Odilo Scherer e João Bráz de Aviz. Eles têm a seu favor, principalmente, o fato de o Brasil ser o país com o maior número de católicos do mundo (a América Latina, sozinha, possui 42% do rebanho, o maior bloco dentro da igreja. Na Europa, são 25%).

João Bráz de Aviz
João Bráz de Aviz

O catarinense João Bráz de Aviz tem 65 anos e é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, do Vaticano. Foi arcebispo de Brasília. Em 6 de janeiro de 2012, Bento XVI nomeou-o cardeal. Ele esteve numa audiência com o papa no mês passado. Dom Bráz é ligado à Teologia da Libertação, embora afirme diplomaticamente que ela quase o fez “deixar o sacerdócio”. Diz ele que “a opção preferencial pelos pobres é uma opção evangélica da qual dependerá, antes de tudo, a nossa salvação. A sua descoberta e a sua construção por parte da teologia da libertação significaram um olhar sincero e responsável da Igreja ao vasto fenômeno da exclusão social. João Paulo II afirmou à época – através de carta enviada à CNBB e entregue ao Cardeal Gantin – que a teologia da libertação não é somente útil, mas também necessária”.

Na outra ponta, mais famoso, está o descendente de alemães radicados no Rio Grande do Sul, Dom Odilo Scherer, de 63 anos, arcebispo de São Paulo com uma larga experiência em Roma. Estudou na Universidade Gregoriana e depois trabalhou na Congregação dos Bispos entre 1994 e 2001. Scherer é um conservador, ligado ao Opus Dei. Recentemente, elogiou o STF no julgamento do Mensalão. Com perfil autoritário, no fim do ano passado, nomeou Anna Cintra reitora da PUC-SP, apesar de ela ter ficado em terceiro lugar na votação da comunidade acadêmica. Tradicionalmente, o grão-chanceler da universidade (Scherer) indica o primeiro colocado dessa lista tríplice. O crescimento das igrejas neopentecostais poderia ser um problema para sua candidatura.

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