
Com mais de 440 mil seguidores no X, o perfil Space Liberdade virou o epicentro da guerra entre o fugitivo Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e passou a ocupar um lugar estratégico na disputa por influência dentro da direita. Administrado por Keven Oliveira e Samantha Pozzer, o perfil foi tratado por Eduardo como uma conta que atua contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dentro do próprio campo conservador.
A crise ganhou força depois da circulação de um áudio atribuído a Keven, no qual ele afirma não apoiar Flávio no primeiro turno de 2026, e explodiu de vez quando Nikolas compartilhou uma publicação do canal sobre o Pix, gesto interpretado pelo filho de Jair Bolsonaro como sinal de apoio a uma rede hostil à sua família.
O episódio deixou de ser apenas uma briga de redes sociais e passou a expor uma disputa mais ampla por comando político, narrativa e controle da base digital bolsonarista. O conflito arrastou Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e aliados dos dois lados, mostrando que o embate já não se resume à lealdade pessoal. O que está em jogo agora é quem terá força para conduzir a direita rumo à eleição de 2026 e quem conseguirá falar com a base conservadora sem depender da tutela direta do clã Bolsonaro.
O peso do Space Liberdade ajuda a entender a reação dura de Eduardo. Identificado como “perfil de notícias”, o canal cresceu dentro do mesmo ecossistema digital que projetou influenciadores e parlamentares da direita, mas passou também a orbitar o Movimento Liberdade, iniciativa que tenta ampliar esse campo para além do bolsonarismo tradicional.
É justamente essa posição intermediária, entre a militância bolsonarista e uma direita que busca operar com voz própria, que transformou o perfil em peça sensível na guerra interna.
Eduardo deixou claro que vê o Space Liberdade como símbolo de um problema maior. “Denunciei que o Spaces Liberdade não votará em @FlavioBolsonaro, ao menos no primeiro turno”. Depois, subiu ainda mais o tom ao direcionar o ataque a Nikolas. “Há um bom tempo que o Nikolas está treinando o algoritmo para dar visibilidade a todos que odeiam o bolsonarismo”.
Na leitura do ex-deputado, o problema não é apenas o conteúdo publicado pelo canal, mas o fato de ele funcionar como ponte entre influenciadores, parlamentares, clipadores e militância digital, ajudando a fortalecer nomes da direita fora do controle da família Bolsonaro.
Na apuração em fonte aberta, Keven Oliveira e Samantha Pozzer aparecem de forma recorrente ligados ao projeto. O dado central, porém, é que o Space Liberdade não opera como um perfil pessoal isolado. Ele funciona como uma estrutura organizada, com linguagem padronizada, alta frequência de postagem e lógica de cobertura que mistura notícia, militância e mobilização. Na prática, virou uma espécie de redação informal da extrema-direita digital.

