Quem são os principais alvos da operação da PF contra o dragão de sete cabeças que controla Sara Winter

Allan, Daniel, Belmonte e Sérgio: Há outras cabeças nesse dragão

A ofensiva contra a milícia bolsonarista não se limitou à prisão de Sara Winter, e isso é uma boa notícia. A Polícia Federal está nas ruas, para cumprir 21 mandados.

Os alvos estão em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Santa Catarina.

O objetivo do inquérito comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, é descobrir quem financia as milícias que promovem atos antidemocráticos.

No último sábado, esses milicianos promoveram um ataque direto ao Supremo Tribunal Federal, com fogos de artifício.

Como já se disse aqui, Sara é a parte mais visível — e a boca suja — de um esquema que envolve políticos inescrupulosos e empresários desonestos que querem assumir o controle do Estado.

De nada adianta prender a miliciana se a cabeça da serpente não for tocada.

Ela está no Palácio do Planalto, como já se sabe. Mas não só. Há empresários que bancam esse esquema de intimidação aos poderes da república.

Um dos alvos nesta manhã é o deputado federal Daniel Silveira, aquele que quebrou a placa de Marielle. Ex-policial militar, é aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Ele acredita que ainda está protegido pelo manto da impunidade.

Tanto que escreveu no Twitter que a Polícia Federal estava em seu apartamento e que a razão é que estaria “incomodando algumas esferas do velho poder”.

É quase uma confissão de culpa. A ação de Daniel Silveira é, de fato, subversiva. Ele quer destruir as instituições republicana, que chama de “velho poder”.

Outro alvo é Allan Santos, do Terça Livre, também apoiador de Bolsonaro.

Ele afirmou que os policiais apreenderam seu celular e equipamentos de gravação.

A polícia também cumpriu mandados de busca contra o empresário Luis Felipe Belmonte, velho conhecido.

Em janeiro, o jornalista Mauro Donato contou aqui no DCM quem era Belmonte.

Um advogado milionário suspeito de comprar apartamento de um desembargador com propina.

Como Gustavo Bebianno no passado, ele se tornou homem de confiança de Bolsonaro no partido que ele tenta colocar de pé, o Aliança.

Um quarto alvo é o publicitário Sérgio Lima, que também atua no Aliança.

Se o STF reunir provas de que Bolsonaro é quem comanda a milícia — e, ao que tudo indica, é —, se estará diante de um caso cristalino de crime de responsabilidade, definido pelo lei 1.079/50, em seu artigo 4o.:

São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:

II – O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados.

Cada dia a mais de Bolsonaro na Presidência da República, mais risco corre o Estado Democrático de Direito.

 

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