Quem são os técnicos de enfermagem acusados por mortes de pacientes em UTI

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 17:11
Técnicos de enfermagem suspeitos de matar ao menos três pacientes internados na UTI. Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de matar ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Os investigados são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.

Além das mortes já identificadas, outras 20 ocorrências semelhantes passaram a ser analisadas no inquérito. Segundo a apuração, as vítimas confirmadas até agora são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e uma professora cuja identidade ainda não foi divulgada.

A polícia trabalha para esclarecer a motivação dos crimes e a dinâmica de atuação do grupo dentro da UTI. O próprio Hospital Anchieta comunicou o caso às autoridades após identificar padrões considerados atípicos envolvendo os três profissionais durante plantões na terapia intensiva.

Em nota, a instituição informou que abriu apuração interna antes de acionar os órgãos de investigação. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, afirmou que as investigações indicam a administração deliberada de substâncias incompatíveis com o tratamento médico. “Em um dos casos, ele sugou um desinfetante no quarto de um paciente com a seringa e aplicou ao menos 10 vezes no paciente”, declarou.

Inicialmente, os técnicos presos negaram qualquer irregularidade e alegaram que apenas ministravam medicamentos prescritos pelos médicos responsáveis. De acordo com a polícia, essa versão perdeu sustentação após a análise de provas técnicas, registros e depoimentos colhidos durante a investigação.

Técnico de enfermagem sendo preso pela Policia Civil. Foto: Divulgação

Confrontados com os elementos reunidos, os suspeitos passaram a admitir os fatos, mas não apresentaram justificativa para as mortes. Segundo o delegado, chamou a atenção a ausência de arrependimento e a frieza demonstrada durante os interrogatórios.

A Polícia Civil informou que pretende indiciar o trio por homicídio doloso qualificado, com agravante de impossibilidade de defesa das vítimas, já que os pacientes estavam em condição de extrema vulnerabilidade dentro da UTI.

O caso também passou a ser acompanhado pelo Coren-DF, que divulgou nota oficial sobre o episódio. O conselho informou que abriu procedimento próprio para apurar possíveis infrações éticas relacionadas à conduta dos profissionais envolvidos.

“O Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e instaurou procedimento de apuração para verificar eventuais implicações éticas”, diz o comunicado. A entidade ressaltou ainda que “deve ser respeitado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa”.

O conselho acrescentou que, caso as investigações confirmem irregularidades, os profissionais serão responsabilizados conforme o Código de Ética da Enfermagem. “O Conselho segue comprometido com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida”, conclui a nota.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.