“Quem sofrerá serão os trabalhadores”, diz Nobel de Economia sobre Flávio Bolsonaro

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 12:42
Flávio Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) representa risco para a economia brasileira no curto e no longo prazo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-economista-chefe do Banco Mundial associou as propostas sinalizadas pela campanha do senador a queda do PIB, redução do investimento público e aumento da desigualdade.

“Há [riscos para] as questões políticas, que, na minha opinião, não devem ser subestimadas: o enfraquecimento da democracia. Mas as consequências econômicas também são bastante claras. Ele não especificou em detalhes o que pretende fazer, mas propôs promover austeridade fiscal por meio de cortes de gastos e reduções de impostos para os muito ricos, o que agravará ainda mais a desigualdade”, afirmou.

Stiglitz avaliou que um programa baseado em austeridade fiscal, cortes de despesas e redução de impostos para os mais ricos pode deteriorar as condições de vida das classes média e baixa. “Isso levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza”, disse.

O professor da Universidade Columbia apontou que Flávio não detalhou integralmente seu programa econômico, mas citou a defesa de privatizações e da redução do papel do Estado. Para ele, esse direcionamento amplia problemas sociais que já atingem o país e também cria riscos institucionais pelo aprofundamento da desigualdade.

“Se você cortar impostos e despesas simultaneamente, isso reduzirá o PIB. Mas, se cortar impostos e reduzir ainda mais as despesas, isso será realmente contracionista. Portanto, o PIB do Brasil cairá. Bem, quem sofrerá? Obviamente, serão os trabalhadores”, prosseguiu.

Joseph Stiglitz de terno escuro e camisa azul clara
Joseph Stiglitz, economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Economia. Foto: Reprodução

Cortes em educação e infraestrutura podem afetar crescimento, diz Stiglitz

Na avaliação do Nobel, cortar impostos e despesas ao mesmo tempo terá efeito contracionista sobre a economia. Ele disse que os trabalhadores sofreriam primeiro com a redução do PIB. “Os programas discricionários voltados aos pobres e à classe média, como a educação e outros programas, serão devastado”, apontou.

Stiglitz também citou educação, infraestrutura e tecnologia como áreas vulneráveis em um ajuste fiscal. Segundo ele, reduções nesses investimentos afetam a capacidade de crescimento futuro do Brasil e ampliam a distância do país em relação às economias desenvolvidas.

O economista disse que o mercado ignora que uma economia em recessão não beneficia empresas. Ele afirmou que o país precisa de uma economia competitiva, salários robustos, juros menores e um sistema financeiro mais eficiente, além de criticou o peso dos juros altos sobre o déficit público.

Stiglitz ainda criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil durante o governo Donald Trump e alertou contra uma aproximação hostil à China. Ele destacou que a China é um parceiro comercial maior para o Brasil e mencionou carne, laranja e café entre os produtos brasileiros que obtiveram isenção em parte das tarifas americanas.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior