
A Fast Shop foi multada em R$ 1.040.278.141,00, a maior pena já registrada no país com base na Lei Anticorrupção. A rede varejista, conhecida pela venda de eletrodomésticos e eletrônicos, foi alvo de uma investigação sobre fraudes na obtenção indevida de créditos de ICMS.
Segundo o governo de São Paulo, a empresa também é acusada de interferir em fiscalizações e oferecer vantagens indevidas a agentes públicos.
De acordo com informações do Uol, a apuração apontou que a Fast Shop contratou a Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., operada pelo ex-auditor fiscal da Receita Estadual Artur Gomes da Silva Neto, para atuar na recuperação de créditos tributários ligados ao ICMS no regime de substituição tributária.
De acordo com a investigação, o esquema usava informações privilegiadas e o certificado digital da varejista para realizar uma “mineração de dados fiscais”. O objetivo era fraudar a homologação de créditos tributários, garantindo benefícios milionários e proteção contra a atuação da administração tributária.
Ao todo, a operação analisou cerca de R$ 1,59 bilhão em movimentações financeiras. O governo afirma ter comprovado que a Fast Shop inseriu dados ilícitos para obter R$ 1,04 bilhão em créditos de ICMS. Por isso, a multa foi fixada no mesmo valor que teria sido conseguido ilegalmente, levando em conta a gravidade dos fatos e o dano aos cofres públicos.
Segundo o Estado, o montante superior a R$ 1 bilhão seria suficiente para bancar projetos públicos de grande porte, como a construção de 300 creches, com capacidade média para 140 crianças cada, seis hospitais regionais, 216 centros de reabilitação da Rede Lucy Montoro ou 5,2 mil novas viaturas para as polícias Civil e Militar.
O caso é um desdobramento da Operação Ícaro, conduzida pelo governo paulista e pelo Ministério Público para desarticular esquemas de corrupção tributária envolvendo auditores fiscais e empresas privadas. Até agora, cinco servidores públicos foram demitidos, um foi exonerado e 61 procedimentos administrativos foram instaurados.
A Fast Shop foi procurada pela reportagem para comentar a multa e as acusações, mas não respondeu até a publicação do texto.
A investigação também alcançou integrantes da cúpula da varejista. Em agosto de 2025, o diretor estatutário da Fast Shop, Mario Otávio Gomes, foi preso em uma operação do Ministério Público de São Paulo que apurava corrupção. Ele trabalhou por mais de 30 anos na rede e ocupava o cargo desde 2014.
Na época, a operação mirava um suposto esquema envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria da Fazenda, suspeitos de receber mais de R$ 1 bilhão em propinas para favorecer empresas do varejo. O empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, também foi preso na mesma ação.
Mario e Sidney foram soltos após três dias, com medidas cautelares. O Ministério Público afirmou que não havia “extrema e comprovada necessidade de manutenção da custódia cautelar, e que as medidas cautelares diversas da prisão se mostram suficientes e adequadas”.