
A vida do bolsonarista Zezé Di Camargo é uma caixinha de terríveis surpresas: quanto mais se mexe, mais fede.
Depois de acusar as filhas de Silvio Santos de “prostituírem o canal” — pedir desculpas inúteis — e ainda ver seu especial de fim de ano ser substituído por um episódio de Chaves, o cantor volta a estampar manchetes. Como quase sempre, não por seu trabalho, mas por alguma nova polêmica.
Desta vez, quem puxa o fio é Zilu Godoy, ex-esposa que o apoiou muito antes da fama, quando ele ainda não era ninguém. Zilu veio a público afirmar que teve prejuízos após o divórcio: abriu mão de uma pensão vitalícia de R$ 100 mil mensais, valor a que tinha direito.
Ela não detalhou os motivos da renúncia, mas sejamos francas: quem, em sã consciência, abre mão de uma pensão dessas sem uma razão muito forte? Pode-se dizer que Zilu já é rica, mas convenhamos — para gente rica, dinheiro nunca é demais. Vai por mim.
O fato é que o ex-casal segue brigando na Justiça por mais R$ 15 milhões da partilha de bens. Zilu, claramente ciente de com quem está lidando, faz questão de afirmar que vive com seus próprios recursos, recusando o papel de mulher dependente que o ex parece gostar de atribuir a ela.
Se Zezé tivesse algum resquício de princípio ou gratidão por quem esteve ao seu lado antes da fama, essa disputa sequer existiria. A partilha teria sido feita com base no bom senso. Perdão — errei ao esperar bom senso de alguém como ele.
Como se não bastasse, ele ainda declarou, em entrevista, que “mulher feia merece ser traída”, justamente no período pós-divórcio, quando trocavam farpas publicamente. Precisava? A frase repercute até hoje. Zilu já contou que se sentiu profundamente mal com a fala, mas que se fortaleceu, passou a se considerar uma mulher bonita e forte e questionou, com razão, quem ele pensa que é para definir isso.
Toma, distraído.
Um homem que humilha publicamente a mãe de seus filhos, com quem foi casado por 32 anos, não demonstra apenas ingratidão. Ele escancara o motivo de ter se tornado bolsonarista: desprezo pela dignidade feminina e zero consideração até mesmo por quem dividiu a vida com ele. Quem dirá pelas outras mulheres.
Nada mais coerente com o discurso conservador de “Deus, pátria e família”, não é mesmo?
Como tantos homens — conservadores e progressistas, não sejamos ingênuas —, Zezé virou as costas para quem o sustentou emocionalmente quando ele não era nada, casou-se com uma mulher mais jovem e ainda fez questão de pisar na dignidade da ex. Um roteiro velho, previsível e covarde.
No fim das contas, Zezé Di Camargo é só mais um homem confundindo masculinidade com crueldade, fé com hipocrisia e sucesso com licença para humilhar. A diferença é que, enquanto ele insiste em cantar sobre amor, sua biografia faz coro desafinado com misoginia, ingratidão e um cheiro forte de mofo moral.
E nem Chaves consegue salvar esse especial.