R$ 65 bilhões: Raízen, da parceria entre Shell e Cosan, entra com pedido de recuperação judicial

Atualizado em 11 de março de 2026 às 9:41
Instalações da Raízen. Foto: reprodução

A Raízen protocolou, na última terça-feira (10), um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, em meio a uma crise financeira causada pelo forte endividamento. A companhia é uma joint venture (aliança estratégica) formada pela Cosan e pela Shell e atua na produção de etanol, açúcar e na distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina.

Diferentemente da recuperação judicial, em que todas as dívidas são renegociadas na Justiça, o modelo extrajudicial permite que a empresa selecione um grupo específico de credores para negociar os termos do acordo e posteriormente buscar homologação no Judiciário.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Raízen já obteve adesão de credores que representam mais de 40% do valor total da dívida e agora tem prazo de 90 dias para alcançar a maioria simples, necessária para validar o plano. Durante esse período, ficam suspensos os pagamentos do principal e dos juros.

Entre os credores da empresa estão cerca de 15 bancos e investidores do mercado financeiro. Segundo pessoas familiarizadas com a negociação, uma das possibilidades discutidas é a conversão de aproximadamente 40% das dívidas em ações da companhia, medida que ainda será negociada.

Pelo acordo em construção, a Shell deverá injetar R$ 3,5 bilhões na empresa, enquanto o fundo Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, aportará outros R$ 500 milhões.

Shell e Cosan, controladoras da Raízen. Foto: reprodução

O plano de reestruturação também prevê a venda das operações da Raízen na Argentina, com expectativa de arrecadar cerca de US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,1 bilhões. Com essas medidas, a companhia pretende reduzir sua relação dívida líquida sobre Ebitda de 5,5 vezes para um intervalo entre 2,5 e 3 vezes.

A estratégia de recuperação está sendo conduzida por Lourival Luz, ex-presidente da BRF e atual diretor financeiro da Raízen. A deterioração financeira da empresa ocorreu rapidamente e está ligada a diversos fatores, incluindo expansão agressiva, juros elevados e dificuldades operacionais no setor de bioenergia.

Após levantar R$ 6,9 bilhões no segundo maior IPO da bolsa brasileira em 2021 e alcançar valor de mercado de R$ 74,4 bilhões, a empresa enfrentou desafios como condições climáticas adversas, aumento de queimadas e queda na produção de cana-de-açúcar. A aquisição da Biosev por R$ 6,5 bilhões também exigiu investimentos elevados para modernizar plantas industriais.

Nos últimos resultados divulgados, a Raízen registrou prejuízos bilionários. No terceiro trimestre da safra 2024/2025, a empresa teve perda de R$ 2,5 bilhões, revertendo lucro de R$ 793 milhões no mesmo período do ano anterior. Já no segundo trimestre da safra 2025/2026, o prejuízo líquido foi de R$ 2,3 bilhões, com dívida líquida superior a R$ 53 bilhões.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.