Rabino rebate presidente da Conib e acusa Lula de “discurso antissemita”

Atualizado em 4 de fevereiro de 2026 às 23:54
Presidente Lula, em 2010, durante visita ao Museu do Holocausto em Jerusalém. Foto: Ricardo Stuckert

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza seguem gerando reações na comunidade judaica brasileira. O chefe do Executivo já classificou a ação militar israelense como genocida, posição que tem sido contestada por setores contrários ao governo, que atribuem às falas um caráter antissemita. Com informações da Folha de S.Paulo.

No dia 28, durante reunião de lideranças judaicas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, declarou que não considera Lula antissemita. Segundo ele, o presidente foi o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar Israel, em 2010, e sempre manteve distinção entre críticas ao governo israelense e ao povo judeu.

Após essa manifestação, o rabino Samy Pinto, da sinagoga Ohel Yaacov, em São Paulo, divulgou uma carta na qual discorda da avaliação de Lottenberg. No texto, o religioso afirma que as declarações de Lula extrapolariam, em sua avaliação, a crítica política e se enquadrariam no que define como discurso antissemita.

O rabino Samy Pinto, que acusou Lula de “discurso antissemita”. Reprodução

O rabino menciona falas do presidente em que a ação militar de Israel foi comparada ao Holocausto nazista. Segundo ele, esse tipo de analogia estaria alinhado a critérios formulados por pensadores como Natan Sharansky, que propôs parâmetros para identificar antissemitismo contemporâneo, e Bernard-Henri Lévy, que associa ataques a judeus a críticas direcionadas ao Estado de Israel.

Samy Pinto também cita reflexões de Martin Heidegger e Hannah Arendt para sustentar que palavras utilizadas no debate público produzem efeitos políticos e simbólicos. Ao final da carta, o rabino afirma esperar uma retratação formal do presidente da República.

Em novembro de 2023, durante o auge do conflito entre Israel e o Hamas, Lottenberg já havia comentado o tema. Na ocasião, reiterou que Lula critica ações do governo israelense, e não o povo judeu, embora tenha feito ressalvas ao tom adotado pelo presidente ao classificar atos em Gaza como terrorismo, destacando preocupações com possíveis reações de hostilidade contra judeus no Brasil.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.