
O desconforto provocado pela postura cautelosa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao evitar um apoio explícito à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência levou o núcleo da família Bolsonaro a adotar uma estratégia de contenção de danos. Diante do risco de racha na direita, aliados passaram a pedir calma a Eduardo Bolsonaro, que fez inúmeros ataques ao governador nos últimos tempos.
Segundo o Uol, Flávio ligou para o irmão na semana passada e pediu paciência. Eduardo, que vinha demonstrando irritação com a postura de Tarcísio, ouviu o apelo para não fazer reclamações públicas. A avaliação do senador é de que ataques a potenciais aliados enfraqueceriam o esforço de unificação do campo conservador em torno de sua pré-candidatura.
Eduardo teria aceitado o pedido e evitou críticas abertas ao governador. Em tom de brincadeira, reagiu chamando Flávio de “centrão”, apelido usado internamente para se referir ao perfil mais conciliador do senador em comparação com outros membros da família.
Carlos Bolsonaro também aderiu à estratégia. Mesmo após Tarcísio ter cancelado uma visita a Jair Bolsonaro na semana passada, o vereador manteve silêncio público.
O encontro acabou ocorrendo dias depois, quando o governador afirmou que daria palanque a Flávio em São Paulo. Carlos foi além da discrição: almoçou com Tarcísio, elogiou o governador e fez questão de registrar o gesto nas redes sociais, sinalizando alinhamento à militância.
Fico muito feliz ao ver o @tarcisiogdf visitando o meu pai. É um gesto que, sem dúvida, faz muito bem a ele neste momento difícil que ele atravessa e que contribui para que, com mais força e energia, possamos seguir adiante com esperança em dias melhores.
Este é um momento de… pic.twitter.com/dgm9L8mtKF
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) January 29, 2026
A postura adotada por Flávio repete a estratégia usada por Jair Bolsonaro enquanto presidente. Parlamentares relataram que, sempre que surgiam queixas sobre Tarcísio, o ex-presidente recomendava calma e desestimulava ataques públicos.
Bolsonaro avaliava que críticas abertas poderiam empurrar o governador paulista para o campo adversário. Segundo aliados, ele dizia que as reclamações poderiam ser feitas em conversas privadas, mas nunca em entrevistas ou redes sociais.
O estilo apaziguador do senador também se manifestou em Santa Catarina. A indicação de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado pelo estado gerou forte reação de setores do eleitorado local. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL), figura influente entre conservadores catarinenses, liderou as críticas.
Carlos e Eduardo chegaram a discutir medidas duras contra Campagnolo, incluindo sua expulsão do partido e a divulgação de material considerado prejudicial à imagem da deputada. Flávio, no entanto, interveio e convenceu os irmãos a recuar. Ele defendeu esfriar a crise e deixar que o tempo resolvesse o impasse.
A decisão evitou uma ruptura em um dos estados mais bolsonaristas do país. Carlos deve ser confirmado como candidato ao Senado, e Campagnolo permaneceu no partido. No PL, a avaliação é de que a postura conciliadora de Flávio não afasta eleitores. O senador reconhece o risco, mas avalia que poderá endurecer o discurso em momentos estratégicos para dialogar com a base mais radical.