
A crise no núcleo do bolsonarismo escalou nos bastidores e já produz ameaças explícitas contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Integrantes do clã Bolsonaro passaram a sinalizar que podem lançar Guilherme Derrite ao Palácio dos Bandeirantes caso o governador não se engaje de forma clara na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026, num embate agravado pela articulação de Michelle Bolsonaro no STF em torno da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. As informações são do O Globo.
A ameaça circulou entre aliados como recado direto ao governador. “Se Tarcísio jogar água fora do penico, vamos lançar o Derrite ao governo de São Paulo”, relatou um integrante do clã, em referência ao atual secretário de Segurança Pública e deputado federal licenciado. O movimento expõe o grau de deterioração da relação entre o bolsonarismo raiz e o governador paulista, visto por parte da família como pouco empenhado na sucessão presidencial do ex-presidente.
O pano de fundo da crise é a atuação de Michelle Bolsonaro junto a ministros do Supremo Tribunal Federal para tentar viabilizar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Nos bastidores, a ex-primeira-dama avalia que a mudança de regime poderia alterar o centro de decisões políticas do bolsonarismo, hoje concentrado em Flávio, e reabrir o debate eleitoral, recolocando Tarcísio como alternativa viável para 2026.

Entre os filhos do ex-presidente, a leitura é mais dura. A movimentação de Michelle passou a ser interpretada como tentativa de se firmar como “porta-voz institucional” do bolsonarismo e reorganizar a direita fora do controle direto da família. “Isso não é só sobre a prisão, é sobre quem manda no projeto político”, resume um aliado de Flávio, que vê na articulação uma ameaça direta à candidatura do senador.
A reação mais visível partiu de Carlos Bolsonaro, que publicou mensagens nas redes sociais sugerindo disputas internas e tentativas de sabotagem ao plano definido pelo pai. Em uma das postagens, afirmou haver um movimento “dissimulado” para medir forças com o próprio Jair Bolsonaro, recado interpretado como dirigido à madrasta e a aliados de Tarcísio.
Procurado, o governador reafirmou publicamente que é candidato à reeleição em São Paulo e tenta manter distância do conflito. Nos bastidores, porém, aliados admitem que Tarcísio evita definições para preservar margem de manobra.
O reagendamento de uma visita a Bolsonaro é visto como gesto para conter a leitura de rompimento, enquanto o clã bolsonarista já sinaliza que está disposto a transformar a disputa presidencial em guerra aberta também pelo controle do maior colégio eleitoral do país.