Rachel Sheherazade processa Alexandre Frota por ter sido comparada a prostituta pelo deputado. Por Vinícius Segalla

Alexandre Frota também chamou Sheherazade de “porca” e disse que ela recebeu dinheiro para mudar de opinião (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade está processando o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) por ter sido comparada a uma prostitua em, pelo menos, duas oportunidades, por meio de vídeos e mensagens amplamente divulgados na internet e nas redes sociais do parlamentar.

A jornalista demanda indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil. Frota e seus advogados ainda não se pronunciaram sobre o caso, mas estão dentro do prazo legal para fazê-lo. O processo teve início em junho deste ano. Sheherazade solicitou também que a ação fosse colocada sob segredo de Justiça, o que ainda não havia ocorrido até a publicação desta reportagem.

Entre o fim de 2017 e início do ano de 2018, Alexandre Frota, então pré-candidato a deputado federal pelo PSL e sonoro apoiador do, à época, deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), com quem viria a romper posteriormente, postou um vídeo no site YouTube criticando a jornalista por suas mudanças de postura e opiniões acerca do cenário político brasileiro.

No vídeo, o ex-ator e atual parlamentar afirmava que Sheherazade não havia mudado suas opiniões por sincera revisão em seu próprio ponto de vista, mas sim porque haveria recebido dinheiro para fazê-lo. Alexandre Frota, no entanto, deixou de apresentar qualquer prova sobre o que afirmava.

No auge de seu argumento, o agora deputado disse que a jornalista “se prostituiu ao receber dinheiro para mudar de opinião”. A reportagem do DCM assistiu ao vídeo em questão, mas optou por não reproduzi-lo aqui em virtude da impossibilidade de se comprovar a veracidade do que nele afirmou Alexandre Frota. Muitos youtubers e influenciadores digitais, porém, não só republicaram o vídeo de Frota como adicionaram novas ofensas às originais.

O youtuber Nando Moura foi um dos que replicaram o vídeo de Frota sobre Sheherazade, adicionando novas ofensas à jornalista

Contrariada com a publicação que a fazia se sentir ofendida, Rachel Sheherazade foi a uma delegacia de polícia em São Paulo, a fim de prestar queixa contra o ex-ator e solicitar que o vídeo fosse retirado do ar.

Durante o período em que a Polícia Civil do Estado de São Paulo estava investigando a conduta de Frota, este foi intimado a comparecer na competente delegacia para prestar esclarecimentos sobre o vídeo postado. Tal fato serviu apenas para deixar o ex-ator ainda mais irritado e verborrágico.

Dias após ter comparecido à delegacia, e aproveitando um vídeo em que a jornalista expunha sua opinião sobre a greve dos caminhoneiros, que ocorreu durante o primeiro semestre do ano de 2018, Alexandre Frota publicou outro vídeo atacando Sheherazade, novamente comparando-a a uma prostituta, acusando-a de receber dinheiro para mudar de opinião e adicionando novas ofensas, sempre sem qualquer comprovação acerca do que afirmava (a grafia das palavras abaixo traz a transcrição literal das palavras de Frota):

Mais uma vez, essa sirigaita da comunicação tendenciosa perde a oportunidade de se calar. Rachel Sheherazade, vou te ensinar uma coisa: nunca abra a boca para corrigir alguém, ou alguma ação, sem antes olhar-se no espelho.
(…)

Rachel, você é tão porca que eu entendi bem o que você está tentando fazer. Vamos lá: você ganhou quanto para isso?
(…)

Será que você não tem vergonha nessa cara, não? Depois vocês reclamam quando eu falo que você poderia apresentar o seu jornal direto da rua Augusta (famoso ponto de prostituição no município de São Paulo).

Deputado tem histórico de processos e ofensas

As ofensas de Alexandre Frota a pessoas que possuem opiniões diferentes das suas ou que tomam medidas e decisões de que o parlamentar não gosta já renderam uma série de processos – alguns já com condenações – e pedidos de desculpas do ex-ator.

Em dezembro do ano passado, após ser condenado a pagar multa por atribuir fala falsa de pedofilia ao então deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), Frota afirmou que a juíza que o condenara só o fizera porque era ligada ao PT (Partido dos Trabalhadores). A acusação foi feita sem nenhuma base probatória, o que levou o parlamentar a se tornar réu em mais um processo judicial.

Em julho do mesmo ano, a juíza Tônia Yuka Kôroku, da 13ª Vara Cível de São Paulo, condenara Frota a indenizar em R$ 50 mil o juiz Luís Eduardo Scarabelli a título de danos morais. É que, em outro processo judicial, o magistrado havia absolvido a ex-chefe da Secretaria de Política para as Mulheres do governo Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, em ação movida por Frota.

Ele processava Eleonora por ela ter criticado a fala do ex-ator em um programa de entrevistas, em que ele contava ter provocado o desmaio de uma mãe de santo após imobilizá-la pelo pescoço e, em seguida, ter feito sexo com ela.

Após o resultado do julgamento, Frota postou mensagens nas redes sociais chamando Scarabelli de “ativista do movimento gay” e dizendo que “o juiz julgou com a bunda”. Posteriormente, o deputado pediu desculpas ao juiz.

Já em junho deste ano, ele pediu desculpas à sua colega de Câmara dos Deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP), no plenário da Casa. É que, em seu perfil oficial no Twitter, Frota chamara a parlamentar de “hamburgão da Câmara Federal”.

Outro que recebeu pedido de desculpas de Frota foi o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE). No final do ano passado, o ex-ator rebateu a uma crítica do colega dizendo que este “só podia ser do Pernambuco”. Arrependido, em fevereiro deste ano, Frota procurou o pedetista para pedir desculpas, o que levou Gadêlha a encerrar ação que movia contra o tucano.

Cerimônia de filiação de Alexandre Frota ao PSDB, em agosto deste ano, em São Paulo

Alexandre Frota é deputado do PSDB desde o dia 16 de agosto deste ano, quando se filiou ao partido aceitando convite do governador de São Paulo, João Doria. “Eu não tinha dúvida de aceitar o convite do meu amigo João Doria para o novo PSDB”, disse o ex-ator, na cerimônia de filiação.

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