
A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé levará ao sambódromo do Anhembi, na madrugada de sábado (14), um desfile em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O enredo, intitulado “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, aborda a reforma agrária e a agricultura familiar.
A apresentação está prevista para ocorrer por volta das 3h. Militantes do movimento participarão da composição das alas e dos carros alegóricos, ao lado de convidados. Entre os nomes confirmados estão o ex-jogador Raí, o jornalista Chico Pinheiro e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
Também devem desfilar lideranças históricas do MST, como João Pedro Stedile, Divina Lopes e João Paulo Rodrigues, além de parlamentares ligados ao movimento, entre eles Rosa Amorim (PT-PE), Valmir Assunção (PT-BA), João Daniel (PT-SE), Marina Santos (PT-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Missias Bezerra (PT-CE). A jurista Carol Proner e o empresário Eduardo Moreira também são esperados.
Segundo nota do movimento, “A proposta nasce de uma construção coletiva entre a Escola de samba e o MST, com o objetivo de ampliar o alcance da luta pela Reforma Agrária Popular, transformando a avenida em um palco de resistência, cultura e denúncia da concentração de terras no Brasil”.

A homenagem ocorre no ano em que o MST completa 40 anos. A relação entre o movimento e o carnaval remonta à década de 1990, quando militantes participaram de desfiles em agremiações como Império Serrano, Nenê de Vila Matilde e Vila Isabel. Nos últimos anos, o grupo também marcou presença em escolas de diferentes capitais.
O desfile da Tatuapé ocorre em meio a debates políticos. No Rio de Janeiro, a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que também fará homenagem ligada ao campo progressista, foi questionada judicialmente. Parlamentares alegam possível propaganda eleitoral antecipada.
Uma ação popular cita “improbidade administrativa” e violação dos “princípios da moralidade e impessoalidade”. O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) defende que, caso o pedido para impedir o desfile não seja aceito, ao menos não haja transmissão televisiva.
O termo de colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba prevê repasse de R$ 12 milhões para escolas do Grupo Especial, com a finalidade oficial de promover o Brasil como destino turístico internacional.