
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua votação em todas as faixas de renda no segundo turno da eleição de 2026 e tomou a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) nas áreas de renda intermediária. O cruzamento dos resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com dados do Censo 2022, do IBGE, aponta que o principal avanço ocorreu entre eleitores dessas regiões.
Nas áreas onde a renda média mensal variava de R$ 2.590 a R$ 2.920, Flávio havia liderado o primeiro turno. Lula passou de 44,4% para 51,6% dos votos válidos no segundo, enquanto o adversário saiu de 47,6% para 48,4%.
Lula venceu a disputa nacional com 51,8% dos votos válidos, ou 64,3 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro. Nas regiões com renda média de até R$ 1.780 mensais, o petista alcançou 74,2% dos votos válidos no segundo turno.
A votação de Lula cai à medida que a renda da área sobe, embora volte a crescer na faixa mais rica. Entre as regiões com renda de R$ 5.190 a R$ 7.130, ele obteve 41,7%; acima de R$ 7.130, o percentual chegou a 44,3%.

A faixa entre R$ 2.590 e R$ 2.920 reúne 9,4% do eleitorado, cerca de 14,7 milhões de pessoas. Lula ganhou 7,2 pontos percentuais nesse grupo, a maior alta entre as faixas analisadas, e deslocou para R$ 2.920 a fronteira a partir da qual Flávio passou a liderar.
O petista elevou sua votação entre 4,8 e 7,2 pontos percentuais em todas as faixas de renda. Nas áreas mais pobres, onde já concentrava sete em cada dez votos, Lula foi de 69,4% para 74,2%; nas mais ricas, avançou de 37,6% para 44,3%.
Os resultados variaram de forma significativa entre os estados. Em oito dos nove estados do Nordeste, Lula liderou em todas as faixas de renda no segundo turno; na Bahia, recebeu 60,7% até mesmo nas áreas com renda acima de R$ 7.130, e em Pernambuco atingiu 57,4% nessa faixa.
Em Acre, Rondônia e Distrito Federal, Lula não liderou em nenhuma faixa de renda. No Rio de Janeiro, base política de Flávio Bolsonaro, o resultado destoou do padrão nacional: Lula perdeu em todas as faixas até R$ 7.130 e venceu somente nas regiões mais ricas, com 53,1% dos votos válidos.