
O ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) por autoridades de imigração dos Estados Unidos (ICE), após quase sete meses foragido no país. Segundo investigação da Polícia Federal, ele entrou em território americano com apoio de aliados e uso de documentos falsos, mesmo após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participação no plano golpista.
De acordo com a PF, a permanência de Ramagem em Miami contou com suporte do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, a esposa Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello. A Polícia Federal afirma ainda que o grupo atuou para “ludibriar as autoridades americanas”, inclusive na tentativa de obtenção de carteira de motorista.
“No caso em análise, verifica-se que os investigados RODRIGO MARTINS DE MELLO, PRISCILA FREITAS DE MELO e CELSO RODRIGO DE MELLO desempenham papel de protagonismo na manutenção clandestina de ALEXANDRE RAMAGEM em Miami/EUA, porquanto estão viabilizando a sua moradia em condomínio luxo, além de estarem auxiliando o foragido a ludibriar as autoridades americanas com documentos falsos a fim de obter a chamada driver license (carteira de motorista)”, diz trecho da PF.
A investigação aponta que a saída do Brasil ocorreu por Roraima, com travessia pela cidade de Bonfim rumo à Guiana, onde o grupo mantém negócios. A partir do país vizinho, o ex-parlamentar seguiu para os Estados Unidos. A PF indica que houve estrutura organizada para garantir a fuga e a permanência no exterior.

O empresário Rodrigo Cataratas negou irregularidades e classificou as acusações como perseguição. “(Ramagem) tem vários amigos em Roraima, e eu também sou amigo dele, certo? Ele é deputado federal, pessoal. Quando ele esteve em Roraima pela última vez não existia nenhuma condenação contra ele. Então, essa narrativa de fuga, isso é uma narrativa falaciosa, justamente para manter uma perseguição”, afirmou.
O caso também envolve a prisão de Celso Rodrigo de Mello, filho do empresário, em Manaus, por decisão do STF. A defesa dos envolvidos informou que só se manifestará após acesso aos autos. Segundo a Polícia Federal, o esquema incluiu apoio financeiro e logístico ao ex-deputado.
O ex-parlamentar estava em um condomínio de luxo em Miami, onde vivia com a esposa, segundo registros obtidos durante a apuração. Em decisão anterior, Moraes determinou que os investigados não deixassem o país e entregassem seus passaportes, medida que, segundo a Polícia Federal, foi descumprida no caso.