Raquel Lyra foi sócia de empresa de transporte do pai que circula sem vistoria e com frota irregular

Atualizado em 15 de janeiro de 2026 às 10:39
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Foto: Reprodução

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), integrou o quadro societário da Logo Caruaruense, empresa que atua de forma irregular no transporte intermunicipal do estado desde 2022 — período em que a fiscalização deveria ser responsabilidade do governo comandado por ela, conforme informações da coluna Grande Angular, do Metrópoles.

A companhia pertence ao pai de Raquel, o ex-governador João Lyra Neto, e opera com vistorias vencidas e dívidas públicas há pelo menos três anos.

Com sede em Caruaru, cidade governada por Raquel Lyra antes de assumir o estado, a Logo Caruaruense teve a atual governadora como sócia formal até 2018, quando suas cotas foram repassadas integralmente ao pai. O registro na Receita Federal aponta também a mãe, Mércia Lyra, como administradora junto de João Lyra. A irmã da governadora, Nara Lyra, também aparece como sócia.

Contrato social da Logo Caruaruense. Foto: Reprodução
Composição atual da Logo Caruaruense, empresa de transporte do pai da governadora Raquel Lyra que opera irregularmente
Composição atual da Logo Caruaruense, empresa de transporte do pai da governadora Raquel Lyra que opera irregularmente. Foto: Reprodução

Documentos da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) mostram que os veículos da empresa circulam sem vistorias obrigatórias há pelo menos três anos e acumulam atraso no pagamento da Taxa de Certificado de Registro Cadastral (CRC).

Além disso, todos os ônibus têm mais de 10 anos de uso, ultrapassando o limite imposto pelo Decreto nº 40.559/2014, que determina o cancelamento do registro de veículos com mais de uma década. Imagens mostram pneus carecas, ônibus sucateados e cintos de segurança sem funcionamento.

Raquel Lyra também integrou o quadro da Caruaruense Encomendas Expressas Ltda., ligada ao mesmo grupo familiar e voltada ao transporte de cargas. Ela permaneceu como sócia até 2015, quando encerrou sua participação. A empresa deixou de operar no mesmo período.

Impacto para os usuários e aumento de tarifas

Mesmo com a falta de fiscalização sobre empresas irregulares, os passageiros continuam sendo cobrados pelo serviço e podem pagar ainda mais. O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) vota nesta quinta-feira (15) o reajuste da tarifa de ônibus do Grande Recife, que pode subir de R$ 4,30 para R$ 4,50.

Em nota, a EPTI afirmou que a Logo Caruaruense — sucessora da antiga Caruaruense — foi vencedora de uma licitação em 2014, ao lado de outras empresas.

Segundo o órgão, decisões do Tribunal de Contas e do Judiciário impediram a assinatura dos contratos em 2015, mantendo as permissões anteriores. A EPTI afirma que, desde 2022, atua em um processo de transição para regularizar o setor.

A instituição informou ainda que realiza fiscalizações contínuas em terminais e pontos de embarque, mas não respondeu por que as vistorias seguem pendentes após a identificação das irregularidades nem esclareceu se a empresa foi punida.