Ratinho Jr contraria Kassab sobre indulto a Bolsonaro e expõe racha no PSD

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 19:10
Ratinho Jr. (PSD-PR) durante entrevista para a CNN Brasil. Reprodução

O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), defendeu nesta quarta-feira (29) a concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista, e aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A declaração expõe divisões internas no PSD, partido comandado por Gilberto Kassab e que abriga possíveis pré-candidatos à Presidência da República, mas que declarou a intenção de não instrumentalizar o partido para atacar o presidente Lula (PT).

Em entrevista à CNN Brasil, Ratinho afirmou que as punições impostas aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro foram excessivas e sustentou que o indulto poderia servir como instrumento de pacificação nacional.

“Esses vândalos, que erraram, têm que ser tratados como criminosos em cima de um crime de vandalismo. Mas, se for necessário para pacificar o país, é necessário fazer isso”, disse o governador. Ele também comparou os ataques às sedes dos Três Poderes a invasões promovidas por militantes petistas à Assembleia Legislativa do Paraná em outros momentos.

Ratinho Jr. aparece como um dos nomes do PSD cotados para a disputa presidencial, ao lado dos governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Caiado, que formalizou recentemente sua filiação ao partido, já declarou apoio a uma anistia ampla e irrestrita, que incluiria Bolsonaro.

Leite, por outro lado, se posiciona contra a medida. Em março do ano passado, afirmou à CNN que a anistia seria “ruim para o país”, embora admita discutir a dosimetria das penas de réus que não participaram do planejamento de um golpe.

A divergência também se reflete entre outras lideranças da sigla. Kassab declarou solidariedade a Bolsonaro e defendeu a anistia após a condenação do ex-presidente. Já o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também filiado ao PSD, se colocou publicamente contra a iniciativa. “Não podemos bater palminha para a Justiça quando é a favor da gente e querer anular decisões da Justiça quando é contra a gente”, afirmou em abril de 2025.

No Congresso, deputados e senadores do PSD se dividiram nas votações do chamado PL da Dosimetria, que reduzia penas dos condenados pelo 8 de Janeiro e poderia beneficiar Bolsonaro. O projeto foi aprovado, mas acabou vetado pelo presidente Lula (PT). O veto ainda pode ser analisado pelo Parlamento.

Mesmo que um eventual presidente de direita conceda indulto a Bolsonaro, a medida pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal. Em 2023, a Corte derrubou o indulto concedido por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, por entender que houve desvio de finalidade.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.