Ratinho vira réu por falar em “metralhar” deputada do PT

Atualizado em 15 de abril de 2026 às 17:32
O apresentador Ratinho e a deputada federal Natália Bonavides. Foto: Divulgação

O apresentador bolsonarista Carlos Roberto Massa, popularmente conhecido como Ratinho, foi processado na Justiça Eleitoral de São Paulo por violência política contra a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). A denúncia, feita pelo Ministério Público Eleitoral, foi aceita nesta segunda-feira (15).

O caso envolve comentários discriminatórios feitos pelo comunicador durante a transmissão de seu programa na Massa FM, em 15 de dezembro de 2021. Durante o programa, Ratinho fez declarações contra a deputada, que propunha mudanças em um projeto de lei.

O apresentador afirmou que Bonavides deveria ser “metralhada” e ainda sugeriu que ela fosse “lavar roupa e costurar as calças e cuecas do seu marido”. As falas foram confirmadas por meio de gravações e transcrições, o que embasou a acusação de violência política.

A denúncia aponta que o objetivo de Ratinho era constranger e humilhar a deputada, utilizando estereótipos de gênero para descreditar sua atuação política. A acusação ainda afirma que as declarações visavam dificultar o exercício de seu mandato, prejudicando a imagem e a autoridade da parlamentar.

A proposta de Natália Bonavides, que gerou os comentários do bolsonarista, buscava substituir a expressão “marido e mulher” nas cerimônias de casamento civil por termos mais inclusivos como “família” ou “casais”.

De acordo com o Código Eleitoral, ele será processado por violação do artigo 326-B, que tipifica como crime a violência política contra a mulher. Caso seja condenado, a pena pode variar de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa, que pode alcançar R$ 1 milhão.

Recentemente, Ratinho também se envolveu em outra polêmica, dessa vez com a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), acusada de transfobia após comentários em seu programa.

No caso, o apresentador afirmou que uma mulher trans não deveria ocupar a Comissão da Mulher, argumentando que “para ser mulher, tem que ter útero e menstruar”. A fala gerou um processo no valor de R$ 10 milhões.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.