
O apresentador bolsonarista Carlos Roberto Massa, popularmente conhecido como Ratinho, foi processado na Justiça Eleitoral de São Paulo por violência política contra a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). A denúncia, feita pelo Ministério Público Eleitoral, foi aceita nesta segunda-feira (15).
O caso envolve comentários discriminatórios feitos pelo comunicador durante a transmissão de seu programa na Massa FM, em 15 de dezembro de 2021. Durante o programa, Ratinho fez declarações contra a deputada, que propunha mudanças em um projeto de lei.
O apresentador afirmou que Bonavides deveria ser “metralhada” e ainda sugeriu que ela fosse “lavar roupa e costurar as calças e cuecas do seu marido”. As falas foram confirmadas por meio de gravações e transcrições, o que embasou a acusação de violência política.
⤵️ Ratinho sugere eliminar deputada do PT com uso de "metralhadora".
O programa alegou que Natalia Bonavides seria autora de PL que retiraria expressões "pai" e "mãe" das certidões de nascimento. Ela nega (via @caio_barbieri).
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— Metrópoles (@Metropoles) December 15, 2021
A denúncia aponta que o objetivo de Ratinho era constranger e humilhar a deputada, utilizando estereótipos de gênero para descreditar sua atuação política. A acusação ainda afirma que as declarações visavam dificultar o exercício de seu mandato, prejudicando a imagem e a autoridade da parlamentar.
A proposta de Natália Bonavides, que gerou os comentários do bolsonarista, buscava substituir a expressão “marido e mulher” nas cerimônias de casamento civil por termos mais inclusivos como “família” ou “casais”.
De acordo com o Código Eleitoral, ele será processado por violação do artigo 326-B, que tipifica como crime a violência política contra a mulher. Caso seja condenado, a pena pode variar de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa, que pode alcançar R$ 1 milhão.
Recentemente, Ratinho também se envolveu em outra polêmica, dessa vez com a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), acusada de transfobia após comentários em seu programa.
No caso, o apresentador afirmou que uma mulher trans não deveria ocupar a Comissão da Mulher, argumentando que “para ser mulher, tem que ter útero e menstruar”. A fala gerou um processo no valor de R$ 10 milhões.